A XP procurou o Banco do Brasil para discutir uma possível entrada no consórcio de bancos que vai socorrer o BRB, segundo o jornal Valor. O movimento partiu da própria corretora, que pediu informações sobre a operação ao banco público responsável por coordenar o pool. O empréstimo do FGC ao governo do Distrito Federal, controlador do BRB, deve girar em torno de R$ 6,6 bilhões.
O movimento partiu da própria XP, sob pressão dos pares
De acordo com o Valor, há nos bastidores uma cobrança de bancos de varejo para que a corretora se envolva no resgate por sua participação central na distribuição de Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. Procurada pela reportagem, a XP informou que não comentaria. O Banco do Brasil também não se pronunciou.
O presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, voltou ao tema ao comentar o balanço de 2025 da instituição. “Um evento dessa magnitude, no final do dia, acaba gerando um impacto para a sociedade no custo, no custo de captação de novos empréstimos, no preço dos investimentos. Essa conta vai ser paga. Esse dinheiro ‘desaparece’ mas sai de outro lugar depois”, afirmou o executivo, segundo o Valor.
R$ 30 bilhões em CDBs do Master pelos canais da XP
A dimensão do envolvimento das corretoras explica a pressão. A XP tinha cerca de R$ 30 bilhões em títulos do conglomerado Master distribuídos a clientes, enquanto o BTG Pactual respondia por outros R$ 6,6 bilhões. As duas instituições, segundo estimativas de mercado citadas pelo Valor, somaram mais de 70% da captação com garantia do FGC emitida pelo banco de Vorcaro. O fundo garantidor estima que o caso Master vai mobilizar R$ 57,4 bilhões em indenizações, a maior na história da entidade. Em paralelo, o Banco Central já estuda criar “franquia” no FGC e travas para plataformas de CDB.
Distribuição de CDBs do Banco Master
| Instituição |
Volume distribuído |
Observação |
| XP |
~R$ 30 bi |
Maior distribuidor de CDBs do Master |
| BTG Pactual |
~R$ 6,6 bi |
Segundo maior distribuidor |
| XP + BTG combinados |
~R$ 36,6 bi |
Mais de 70% da captação com FGC |
Distribuição estimada de CDBs do Banco Master por instituição. Fonte: Valor Econômico
O desenho do socorro de R$ 6,6 bilhões
O presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, confirmou ao Valor que a operação está estruturada com base em um empréstimo integral do FGC ao governo do DF, garantido por fiança bancária de seis instituições do segmento S1: Caixa, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco, Santander e BTG Pactual. A contragarantia desses bancos será composta por recursos do DF no Fundo de Participação dos Estados (FPE) e no Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
“Os bancos vão dar a fiança ao FGC e receber em contragarantia dessa fiança o fundo de participação do Estado e município do Distrito Federal. É uma operação inédita, uma operação bem feita. Não tem recurso nem aval da União, mas tem uma operação triple-A”, disse Souza ao jornal. O BRB pediu prazo de 15 anos, 18 meses de carência e juros vinculados ao IPCA mais um percentual ainda em negociação. O balanço do banco deve ser divulgado até 30 de junho.
O que observar
A entrada de uma corretora no consórcio de fiança seria um sinal de que distribuidoras independentes podem ser chamadas a dividir o custo de salvamento quando concentram volumes elevados de captação garantida por FGC. Reguladores brasileiros têm sinalizado intenção de redesenhar a responsabilidade das plataformas que vendem títulos bancários e, em paralelo, debater regras de transparência sobre conflito de interesse. Para o ecossistema de assessoria financeira, o caso testa o limite entre o papel de canal de distribuição e o de coobrigado em situações de estresse. Para o pool de bancões, dilui o custo de capital alocado ao resgate caso uma instituição não bancária entre no rateio.
Fontes: Valor Econômico • Brasil 247 • Transmissão Política • Wikipédia