A XP contratou Gustavo Alejo, ex-CFO do Santander Brasil com 26 anos no banco, como novo executivo-chefe de finanças. A escolha é deliberada: a empresa quer avançar em crédito, pagamentos e seguros, e para isso buscou um executivo com formação em banco, não em corretora.
Do Santander para a XP
Gustavo Alejo Viviani acumulou nos últimos três anos os cargos de CFO, diretor de relações com investidores e vice-presidente executivo de Consumer Finance do Santander Brasil, além de integrar o conselho da Zurich Santander Brasil. Antes do Santander, passou pelo Citibank Brasil. Ele assume o cargo em 3 de agosto de 2026, após o período de não competição contratual com o banco.
A movimentação foi precipitada pelas mudanças no topo do Santander: Gilson Finkelsztain, atual presidente da B3, assume a presidência do banco no lugar de Mario Leão ao fim de junho. “Era uma transição que a gente já vinha planejando na cadeira de CFO do Victor há algum tempo, foi superplanejado, conversado, ele é um sócio importante, com 15 anos na empresa”, disse Thiago Maffra, CEO da XP, ao Valor Econômico. Victor Mansur permanece na empresa para auxiliar na passagem de bastão. Maffra assume o cargo de CFO interino a partir de 31 de maio, quando Mansur deixa a posição.
O momento da XP
A contratação coincide com um trimestre que evidenciou a ampliação do leque da XP: lucro ajustado de R$ 1,32 bilhão no primeiro trimestre de 2026, alta de 7% em relação ao mesmo período do ano anterior, com receita bruta de R$ 4,9 bilhões (+8%).
XP Inc: resultados 1T26
| Indicador |
Valor |
Var. a/a |
| Lucro ajustado |
R$ 1,32 bi |
+7% |
| Receita bruta |
R$ 4,9 bi |
+8% |
| Ativos sob custódia |
R$ 1,5 tri |
+15% |
| Prêmios de seguros |
R$ 405 mi |
+16% |
| Cartões ativos |
1,5 mi |
+9% |
Resultados do primeiro trimestre de 2026 da XP Inc. Fonte: InfoMoney
O crescimento mais expressivo veio dos seguros, com prêmios de R$ 405 milhões (+16%), e dos cartões, com 1,5 milhão de cartões ativos (+9%). Os ativos sob custódia chegaram a R$ 1,5 trilhão (+15%).
Para o CEO, a diversificação exige um perfil de CFO diferente do que a empresa precisava quando era essencialmente uma plataforma de investimentos. “Dada toda a diversidade de negócios que vem construindo, cada vez mais na linha de produtos bancários, pagamento e seguros, crédito pessoa física e atacado, a XP queria trazer alguém com um background de tecnologia de banco”, explicou Maffra. O movimento tem paralelo no setor: o BV também aposta em diversificação para elevar rentabilidade, indo além do core tradicional. Recentemente, a XP também estreou nos prediction markets no Brasil com a Kalshi.
O que observar
A trajetória do novo CFO em consumer finance e relações com investidores é relevante num momento em que plataformas de investimento ampliam operações de crédito e seguros e precisam demonstrar ao mercado que o crescimento nessas linhas não compromete a qualidade da carteira. A pergunta que fica é operacional: como executivos formados em grandes bancos, com estruturas de risco consolidadas e regulação mais estrita, se adaptam à velocidade e à cultura de empresas que cresceram na lógica de plataforma.
Vale acompanhar o primeiro ciclo de resultados com Alejo à frente das finanças. A janela de transição cobre pelo menos um balanço trimestral, e o mercado vai avaliar se a narrativa de diversificação evolui nos números que acompanha mais de perto: margem em crédito, sinistralidade em seguros e crescimento de receita fora do segmento de investimentos.
Fontes: Valor Econômico • StockTitan • InfoMoney • Finsiders Brasil