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Petroleira YPF vira fintech com cartão Mastercard próprio

YPF vai lançar cartão pré-pago Mastercard no app até o fim de 2026 e leva 3 milhões de usuários a pagar em toda a rede da bandeira, fora dos postos.

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· 3 min

Atualizado em

Piotr Swat / Shutterstock.com

A petroleira estatal YPF vai lançar um cartão pré-pago Mastercard dentro do seu aplicativo até o fim de 2026. O movimento transforma o app YPF, hoje usado para abastecer, em uma carteira digital que funciona em toda a rede Mastercard, dentro e fora dos postos.

O app YPF em números

Indicador Volume
Usuários ativos mais de 3 milhões
Transações por mês quase 6 milhões
Pagamentos com saldo em conta mais de 30%
Rede física mais de 1.600 estações

Números do app YPF divulgados no anúncio da parceria. Fonte: Tercer Tiempo

De app de abastecimento a meio de pagamento

A aliança, anunciada em julho, coloca o cartão pré-pago Mastercard como o primeiro produto financeiro próprio da YPF Digital, o braço digital da estatal. Com ele, o saldo que o usuário mantém no app deixa de servir apenas para pagar combustível e passa a valer em qualquer comércio físico ou online conectado à rede da bandeira. É o passo mais concreto que a companhia dá para converter seu aplicativo em uma carteira de uso diário.

“Incorporando soluções de pagamento inovadoras que ampliam o alcance do app YPF e simplificam a experiência dos nossos usuários dentro e fora das estações” (em tradução livre), disse Mauro Cercos, gerente-geral da YPF Digital. Para a Mastercard, o acordo agrega suas soluções de pagamento a um dos ecossistemas digitais de maior capilaridade do país, segundo Florencia Solazzi, líder da bandeira para Argentina e Uruguai.

A base ajuda a explicar o interesse: o app já processa quase 6 milhões de transações por mês entre mais de 3 milhões de usuários ativos, e mais de 30% dos pagamentos já são feitos com dinheiro em conta. O padrão se repete no Brasil, onde o embedded finance, a oferta de serviços financeiros dentro de plataformas não bancárias, é apontado como um mercado que deve movimentar US$ 18 bilhões até 2030. Um caminho parecido foi trilhado pela fintech nascida dentro da distribuidora de energia CPFL, que usou a relação recorrente com o cliente para vender serviços financeiros além da conta de luz.

O que observar

O caso reforça uma dinâmica que vale acompanhar: empresas não financeiras com grandes bases de usuários recorrentes, como redes de combustíveis, varejo e utilities, têm hoje uma porta de entrada barata para pagamentos via cartões pré-pagos de bandeira. A pergunta operacional é de conversão. Um app em que a maioria já movimenta saldo em conta tem o hábito de pagamento formado, mas transformar esse saldo em uso de cartão fora do ambiente original exige recorrência que nem todo programa de benefícios sustenta.

Vale observar também como fica a economia da operação. Ao emitir cartão de bandeira, esses players passam a lidar com receita de intercâmbio, custo de emissão e regras de programa que antes não faziam parte do negócio central. Se a tese de fidelização se confirmar, o próximo teste será se a carteira digital gera receita incremental relevante ou se permanece como camada de retenção para o produto original.

Fontes: Merchants EyeMastercardRoadShowTercer Tiempo

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