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Yuno capta US$ 45 mi para orquestrar pagamentos com IA

A orquestradora de pagamentos Yuno captou US$ 45 milhões em Série B para expandir a infraestrutura global, abrir uma frente de banking e mirar o lucro.

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· 3 min

Atualizado em

A Yuno, orquestradora de pagamentos que nasceu na América Latina, fechou uma Série B de US$ 45 milhões, com a Global PayTech Ventures à frente. O aporte vai bancar pesquisa, ampliar a rede global da fintech e abrir uma nova frente de banking, além de encurtar o caminho até a lucratividade, segundo a companhia.

Yuno em números

Indicador Valor
Métodos de pagamento conectados mais de 1.000
Integrações 460
Países mais de 190
Volume recuperado (12 meses) US$ 5 bilhões
Economia para clientes mais de US$ 500 milhões

Números operacionais da Yuno divulgados com a rodada. Fonte: Valor

O que a Yuno faz e por que buscou capital

Criada em 2022 na Colômbia, a fintech tem no comando Juan Pablo Ortega e o sócio Julián Núñez, ambos egressos da Rappi. A Yuno vende um software que liga um lojista a mais de mil formas de pagamento por meio de uma única integração. Em vez de plugar cada adquirente ou carteira separadamente, o cliente conecta-se uma vez à plataforma e passa a alcançar todas as rotas, com roteamento por IA e uma camada de antifraude embarcada. Já são 460 integrações espalhadas por mais de 190 países.

A tese saiu de uma dor que o fundador diz ter sentido na pele. “O que eu vi é que as empresas tinham muitos problemas porque o mundo de pagamentos é muito fragmentado”, afirmou Ortega, que também ocupa a cadeira de CEO. O argumento comercial é direto: mais conversão, porque há mais caminhos disponíveis, e menos custo, porque dá para escolher o provedor mais barato a cada cobrança. Nos últimos doze meses, a fintech diz ter recuperado US$ 5 bilhões em transações que passaram pela plataforma e cortado mais de US$ 500 milhões no custo de processamento dos clientes. A disputa por esse papel de camada intermediária vem crescendo em mercados emergentes, onde outras orquestradoras também avançam. A Série B juntou nomes como Tiger Global, Andreessen Horowitz, Kaszek, Monashees e Endeavor Catalyst, ao lado de fundos sediados no Golfo, entre eles Further Ventures, GrowthX Capital e Rasmal Ventures.

A aposta em banking e a expansão pelo Golfo

A rodada vem casada com uma virada de rota. A empresa começou a montar uma vertical de banking, com tecnologia voltada a bancos e a companhias de pagamento, e não só ao checkout de varejistas. O passo aproxima a fintech de um território até aqui ocupado por provedores de core bancário, fronteira que outras casas de infraestrutura já perseguem, como quando uma startup de core banking com IA captou recursos da mesma a16z. A Yuno já havia sido avaliada em US$ 150 milhões em rodada anterior, em 2024.

A geografia também pesou na estratégia. Em abril de 2026, a operação saudita da Yuno foi habilitada pelo banco central local como prestadora técnica de pagamentos, credencial que destrava a entrada nos mercados do Golfo. Para Walter Campos, o brasileiro que lidera a Yuno na América Latina, a companhia integra a “nova geração da infraestrutura de serviços financeiros”. “Estamos desenvolvendo a tecnologia do futuro para bancos, comércios e empresas de serviços financeiros”, disse o executivo.

O que observar

Orquestradoras de pagamento vivem um momento de teste. Elas se colocam como uma camada única sobre um ecossistema fragmentado de adquirentes, carteiras e métodos locais, e a proposta de valor depende de entregar mais aprovação e menos custo de forma mensurável. Vale acompanhar se o avanço em direção a banking sustenta a margem ou se aproxima demais essas empresas dos provedores de core bancário, num terreno mais regulado e de venda mais longa. Em praças emergentes, onde a densidade de métodos locais é alta, o desafio operacional é manter integrações novas entrando em ritmo sem inflar o custo de manutenção da rede.

Fontes: ValorTechCrunchLet’s MoneyLet’s Money

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