O Itaú Unibanco transformou a Zup, seu braço de tecnologia, em parceira oficial da Anthropic no programa que credencia consultorias a implantar o Claude em grandes companhias. A entrada na Claude Partner Network Services Track foi anunciada em 10 de junho de 2026, sete dias depois de a fabricante do Claude lançar a versão atual do programa.
O movimento amplia a aposta do conglomerado em inteligência artificial. A Zup treinou parte do time para construir agentes, padronizar fluxos de dados e aplicar IA na engenharia de software, segundo o comunicado da empresa. No anúncio oficial no LinkedIn, a empresa descreveu o ingresso como caminho para “mudar o jogo para as empresas que desejam massificar seu uso de IA com foco em estratégia, consistência e resultados reais”.
Itaú já vinha empilhando agentes IA por dentro
A entrada da Zup na rede é a face externa de uma esteira que o Itaú já vinha rodando dentro de casa. No início do mês, o banco relatou ganho de até 300% em produtividade ao aplicar agentes IA na engenharia de software, com 56 mil colaboradores treinados em GenAI. Agora a Zup leva esse repertório para os clientes corporativos da Anthropic.
Os três níveis da Claude Partner Network
Tier
Certificados ativos
Clientes em produção
Casos públicos
Select
10+
2+ (últimos 12 meses)
1+
Preferred
100+
15+
3+
Global Premier
1.000+
100+ (em 3+ regiões)
15+
Estrutura da Claude Partner Network Services Track anunciada em 3 de junho de 2026. Fonte: Anthropic
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Como o programa da Anthropic se estrutura
A Anthropic lançou a Services Track em 3 de junho como o canal formal para empresas implantarem o Claude em ambiente corporativo. Mais de 40 mil firmas aplicaram desde a estreia da rede e cerca de 10 mil consultores foram certificados pela Anthropic Partner Academy. O time global inclui Accenture, Cognizant, Deloitte, KPMG, Infosys e PwC. A Accenture treinou 30 mil profissionais em Claude; a Cognizant levou o modelo a cerca de 350 mil associados; a Deloitte abriu acesso a 470 mil pessoas em sua rede global; a KPMG passou pelo treinamento com mais de 276 mil colaboradores. A janela do programa se abre logo depois que a Anthropic apresentou o Opus 4.8, modelo voltado a engenharia de software.
O comunicado da Zup não detalha em qual dos três tiers a empresa entrou nem informa o número de certificados ativos ou de clientes já em produção com Claude. “Nosso papel é preencher a lacuna entre empresas que adquirem uma solução de IA e aquelas que a utilizam com estratégia, consistência e diferenciação real”, disse André Palma, CEO da Zup.
O que observar
O movimento posiciona consultorias locais no canal direto da fabricante do Claude para grandes companhias brasileiras, em uma janela em que bancos, seguradoras e fintechs nacionais ainda buscam quem opere o modelo em escala. A série histórica do Let’s Money sobre adoção corporativa de IA mostra que os grandes bancos brasileiros vêm acumulando agentes, copilotos e parcerias técnicas no último trimestre, mas o canal formal para vender essa esteira a clientes externos é novo. Pesquisa da Thomson Reuters com 2.275 profissionais aponta que apenas 22% das empresas têm um plano de IA bem definido. A pergunta que fica é se essas integradoras conseguem combinar certificação técnica com volume de clientes em produção no ritmo exigido pelos tiers superiores da rede, ou se ficarão concentradas no primeiro nível, onde a barreira é mais baixa. O próximo sinal serão os primeiros casos públicos divulgados nos próximos meses.