A Elo colocou o backup na nuvem e viu a conta encolher. A bandeira de cartões transferiu seus sistemas internos para uma infraestrutura própria, toda em nuvem, e derrubou em 30% o custo dessa operação. No caminho, moveu mais de 1,2 petabyte de informações e ganhou espaço para escalar a estrutura digital em cerca de vinte vezes. O projeto foi tocado ao lado da CXP Brasil, sobre a plataforma Cohesity.
A leitura de fundo é de eficiência: proteger dados corporativos costuma ser um item caro e invisível no orçamento de tecnologia, e a companhia atacou justamente esse ponto. O caso se soma a um movimento mais amplo de infraestruturas de pagamento migrando operações críticas para a nuvem, como quando a Thredd passou a levar a emissão de cartões para a nuvem da Visa na Ásia.
27 terabytes protegidos pelo preço de 1
A relação de eficiência ficou nítida no custo do backup. A cada 27 terabytes guardados, a bandeira desembolsa o valor de um único terabyte na nuvem, compressão que responde por boa parte do corte de 30%. A estrutura roda com criptografia aplicada ao longo de toda a transferência e da retenção dos dados.
“A troca de expertises entre CXP, Elo e Cohesity foi fundamental para impulsionar a evolução da estratégia de proteção de dados da companhia”, afirmou Gleison Cunha, líder de produtos e proteção de dados da CXP Brasil. Segundo a Elo, o trabalho incluiu um mapeamento do ambiente que ajudou a achar falhas e a centralizar a gestão de um cenário multicloud num só painel.
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De bandeira a hub de pagamentos na nuvem
A infraestrutura enxuta serve a uma ambição maior. Com a nova arquitetura, a bandeira virou uma central que roda Pix, cartões, carteiras digitais e criptoativos sob o mesmo teto, e passou a se apresentar menos como bandeira e mais como plataforma de tecnologia. É a mesma lógica de quem aposta em um app próprio para o dono do cartão: controlar as camadas que sustentam o negócio.
“A modernização da nossa infraestrutura é um movimento estratégico que escolhemos para possibilitar a expansão da nossa atuação como empresa de tecnologia de pagamentos. […] ampliamos nossa capacidade de responder às novas demandas do negócio, com mais eficiência operacional, disponibilidade e controle sobre os dados que sustentam nossas operações”, disse Marcelo Pinto de Toledo, diretor de Infraestrutura e Operação da Elo.
O movimento acompanha um padrão do setor financeiro, que vem puxando o núcleo da operação para a nuvem em vez de tratá-lo como periferia, como fazem instituições que modernizam o core bancário para ganhar escala. Como próximo passo, a dupla vai testar outras ferramentas do catálogo da Cohesity.
A migração da Elo em números
Dados levados à nuvem
+1,2 petabyte
Corte no custo da operação
30%
Eficiência do backup
27 TB protegidos : 1 TB pago
Ampliação da estrutura digital
~20x maior
Números do projeto de migração de backup da Elo. Fonte: TI Inside
O que observar
A migração do backup para a nuvem mostra que a proteção de dados deixou de ser custo fixo aceito sem questionamento e virou alavanca de eficiência dentro das processadoras de pagamento. Vale acompanhar se outras bandeiras e adquirentes vão levar o núcleo da operação para arquiteturas próprias em nuvem em busca do mesmo tipo de compressão de custo, e como a estratégia multicloud vai equilibrar economia, soberania sobre os dados e resiliência num ambiente que precisa processar transações em tempo real sem interrupção.