A Elo, bandeira nacional controlada por BB, Bradesco e Caixa, vai lançar no terceiro trimestre deste ano seu primeiro cartão ultra premium, entrando num nicho de cerca de 200 mil brasileiros hoje dominado pelas americanas Visa Infinite Privilege e Mastercard World Legend.
Ultra premium no Brasil (2025)
Bandeira
Produto
Requisito mínimo
Visa
Infinite Privilege (mai/2025)
US$ 6 mi invest. ou US$ 60 mil/mês de renda
Mastercard
World Legend (out/2025)
Grade de benefícios globais em viagem e gastronomia
Com mais de 34 milhões de cartões ativos e 42 emissores parceiros, a Elo é hoje uma bandeira de base ampla. O produto mais alto em seu portfólio é o Nanquim Diners. A entrada no ultra premium representa o salto para o único segmento em que ainda não atuava no país.
“Começamos a pensar nisso em 2022, porque esses produtos sempre estiveram no horizonte. Lá atrás, já imaginávamos ter um cartão ultra premium. E se intensificou com o lançamento das bandeiras concorrentes”, disse Giancarlo Greco, CEO da Elo, em entrevista ao NeoFeed. “Agora, a plataforma de relacionamento e o potencial de benefícios melhoraram. Então, está na hora.”
A empresa percebeu demanda crescente de emissores parceiros pelo produto e está na fase final de estudos sobre benefícios exclusivos e critérios de acesso. No início do ano, a Elo também adquiriu tecnologia de IA do Chatbank para ampliar sua plataforma de relacionamento, movimento que o CEO associa ao fortalecimento do produto para esse perfil de cliente.
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Receita de R$ 1,6 bi e a aposta na consultoria
Em 2025, a Elo alcançou receita líquida de R$ 1,6 bilhão e volume total de pagamentos de R$ 310,9 bilhões. Para além do ultra premium, a empresa aposta na diversificação de receita: firmou parceria com a Accenture para consultoria especializada a emissores parceiros, com foco em redução de fraudes e ativação de cartões. A vertical já representa cerca de R$ 150 milhões, menos de 10% da receita. A meta é chegar a 20%-30% do negócio em quatro anos.
“Hoje o nosso negócio principal representa de 85% a 90% da receita. Quando olhamos as bandeiras internacionais, este número cai entre 60% e 70%. O que a gente quer é ter este tipo de diversificação e ampliar o bolo de receita”, afirmou Greco. O cenário macroeconômico é uma variável: o CEO citou a Selic a 14,75% ao ano como fator de risco ao consumo. A aposta em cartões premium pode ser, por outro lado, uma proteção natural contra desaceleração das classes de renda média.
O que observar
A entrada de uma bandeira nacional no ultra premium abre uma questão operacional: o produto consegue entregar um network de benefícios globais comparável às concorrentes internacionais para um público que viaja o mundo? Emissores parceiros são o canal de distribuição, e a adesão deles ao novo produto vai determinar se o segmento ganha escala. O timing também é relevante: entrar quase um ano depois das duas concorrentes em um nicho de 200 mil pessoas torna a janela de conquista de clientes estreita.
A meta de levar a consultoria de menos de 10% para 20%-30% da receita em quatro anos é ambiciosa para uma empresa cujo core ainda representa 85%-90%. Vale acompanhar se a parceria com consultoria global escala com eficiência em emissores de porte menor, que compõem parte dos 42 parceiros hoje.