A Getnet lançou o whitepaper “O Futuro dos Pagamentos, Visão 2026” mapeando cinco tendências que, segundo a fintech do Santander, vão reposicionar os pagamentos de infraestrutura operacional para fator estratégico de crescimento. O comércio por agentes de IA e o desaparecimento do checkout da jornada de compra são as apostas centrais do documento.
5 tendências do whitepaper Getnet 2026
| Tendência |
Dado-chave (segundo a Getnet) |
| Comércio agêntico |
75% dos varejistas preveem agentes de IA como essenciais até 2026 |
| Pagamentos instantâneos |
22% do volume global de transações não monetárias em tempo real até 2028 |
| Pagamentos invisíveis |
Finanças integradas estimadas em US$ 7,2 trilhões até 2030 |
| Segurança por IA |
Autenticação adaptativa por nível de risco da transação |
| Personalização |
Ecossistemas por setor, moeda e modelo de integração |
Whitepaper “O Futuro dos Pagamentos, Visão 2026” da Getnet. Fonte: Finextra
A virada dos pagamentos invisíveis
A tese central do relatório é que a experiência de pagamento mais eficaz é aquela que desaparece da jornada do cliente. Transações incorporadas em aplicativos, plataformas e dispositivos conectados tornam o ato de pagar uma extensão natural do fluxo de compra, sem tela de checkout, sem confirmação explícita. Esse modelo impulsiona o crescimento das finanças integradas, mercado que a Getnet projeta em US$ 7,2 trilhões até 2030. “Os pagamentos evoluíram de uma necessidade operacional para um fator estratégico de crescimento, fidelização de clientes e vantagem competitiva”, disse Juan Franco, CEO da Getnet, em entrevista ao Finextra.
O documento foi lançado com exclusividade ao Finextra antes de sua publicação ampla e se insere numa estratégia declarada de posicionamento global da companhia. Com a projeção de que o mercado de pagamentos digitais crescerá US$ 304 bilhões até 2029, a Getnet argumenta que a capacidade de oferecer transações sem atrito em escala se torna um diferencial competitivo tanto para comerciantes quanto para plataformas. O Let’s Money já havia reportado em fevereiro que a Getnet preparava infraestrutura para o comércio agêntico; o whitepaper formaliza a visão estratégica por trás dessa aposta.
Comércio agêntico e os novos controles de risco
Das cinco tendências mapeadas, o comércio agêntico é apontado como a mais transformadora. Nesse modelo, sistemas de IA iniciam e otimizam transações de forma autônoma em nome dos usuários, sem interação humana direta. O relatório cita que 75% dos varejistas preveem que agentes de IA serão essenciais para suas operações ainda em 2026. Se confirmado, esse percentual compressa drasticamente o prazo de adaptação da infraestrutura de pagamentos. O modelo exige, segundo a Getnet, que comerciantes definam controles claros: limites de gastos, estruturas de aprovação e governança, antes de aceitar pagamentos iniciados por IA. A adoção do modelo no Brasil já avança, com Visa e Banco do Brasil testando compras feitas por agentes de IA em operações reais.
A instantaneidade reforça a pressão. O relatório projeta que transações em tempo real representarão 22% do volume global de transações não monetárias até 2028. O aumento da velocidade, porém, reduz a janela disponível para detectar fraudes, o que eleva o papel da autenticação adaptativa por IA: transações de baixo risco seguem sem fricção; as de maior risco acionam camadas adicionais de verificação. O tema do comércio agêntico entre hype e infraestrutura é um dos debates centrais do setor neste ciclo.
O que observar
O modelo de pagamentos invisíveis pressiona diretamente gateways e adquirentes tradicionais que ainda dependem de checkouts ativos para monetização. A pergunta que fica é operacional: como adequar estruturas de risco e modelos de receita quando a transação deixa de ser um evento discreto e passa a ser um fluxo contínuo orquestrado por agentes? Plataformas de e-commerce que ainda operam checkout em etapas separadas enfrentam um gap crescente de experiência.
Vale notar que as projeções do whitepaper partem da pesquisa da própria Getnet, sem auditoria independente declarada, o que é prática usual nesse tipo de documento de posicionamento. O número mais relevante a acompanhar é o de varejistas: se pesquisas independentes confirmarem os 75% até 2026, a janela para a indústria de pagamentos adaptar infraestrutura ao modelo agêntico é mais curta do que o mercado costuma assumir.
Fontes: Finextra • Let’s Money • Let’s Money