A Mastercard atingiu 100% de aceitação nos pedágios do Brasil e está no transporte público de 25 cidades e do Distrito Federal. A partir deste domingo, a CPTM passa a aceitar cartões de débito e crédito em toda a rede de trens, e os pagamentos com cartão no transporte cresceram 35% em 2025 ante 2024.
Cartão no transporte e pedágio brasileiros
Marco
Dado
Pedágios com aceitação Mastercard
100% das concessionárias
Cidades com Mastercard no transporte público
25 cidades e Distrito Federal
Crescimento do cartão no transporte (2025 vs 2024)
+35%
Pagamento por aproximação nas compras presenciais (dez/25)
73,6% (vs 5,4% em dez/20)
Dinheiro em espécie nas praças de pedágio
menos de 7,5% das transações
Cartão no transporte e pedágio brasileiros. Fonte: Valor Econômico
Como o cartão entrou no transporte público
A trajetória começou em 2017, nos ônibus de Jundiaí, e passou pelo teste no metrô do Rio na mesma época. Em dezembro do ano passado, a tecnologia chegou ao metrô de São Paulo, com as linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha. A partir deste domingo, todas as estações da CPTM habilitam débito e crédito, completando a rede ferroviária de maior volume do país.
“No Brasil, o nível de bancarização e de uso de meios de pagamento eletrônico é muito alto, é um dos mais maduros da América Latina. Também a tecnologia para conseguir aceitar isso em setores como pedágio, como transporte público, o Brasil foi pioneiro e é o que está mais avançado. Então, acho que a gente exporta experiência nesses dois setores”, disse Fernanda Caraballo, vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios da Mastercard Brasil, em entrevista ao Valor.
Segundo a executiva, o apelo comercial para o operador de transporte é direto: menos custo operacional, menos fraude e menos risco de assalto em ônibus, “porque quanto menos dinheiro você tem circulando dentro do ônibus, menos atrativo é”. A solução foi adaptada para funcionar sem conexão permanente, o que destrava o uso em áreas de sombra de rede, com a transação sendo enviada ao emissor assim que a internet volta.
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A ponte do pagamento por aproximação
A expansão do cartão no transporte andou em paralelo com a maturação do tap-to-pay. Segundo a Abecs, os pagamentos por aproximação chegaram a 73,6% das transações presenciais em dezembro de 2025, contra 5,4% em dezembro de 2020. O avanço é reforçado pela rápida adoção do Pix por aproximação, que adicionou mais um trilho de pagamento instantâneo ao cenário doméstico.
No pedágio, a penetração já é quase total. A Mastercard afirma que o dinheiro em espécie representa menos de 7,5% das transações nas praças, segundo dados das concessionárias, e rodovias com pista de autoatendimento permitem passagem sem operador de cabine. O movimento acontece num mercado em que o Brasil virou laboratório global de pagamentos digitais, atraindo testes de novas tecnologias de bandeiras e bancos.
O que observar
O próximo salto prometido pela bandeira é a integração modal com cartão bancário: trocar de ônibus para metrô pagando só a diferença, ou pegar um segundo ônibus sem nova tarifa, algo que hoje depende do cartão municipal de transporte. Esse é o pedaço da experiência do usuário que ainda fica preso ao cartão proprietário de cada cidade, e o canal que resolver a integração primeiro ganha distribuição sem concorrência direta.
Vale acompanhar três frentes. A primeira é a articulação com operadoras e secretarias de transporte: o poder concedente tem voz na decisão, e cada cidade tem modelo tarifário próprio, o que pode atrasar ou vetar integração entre modais. A segunda é a corrida entre bandeiras e o sistema de pagamento instantâneo do BC, que já avança em setores adjacentes e tem vocação para entrar em catracas. A terceira é o custo da adaptação offline: quanto mais o pagamento depende de infraestrutura de rede em ônibus, maior o gasto de operadores de transporte com conectividade, leitoras e suporte.