A Tether e a Fasset lançaram o primeiro cartão Visa lastreado em ouro: usuários acumulam XAU₮ com cashback de até 6% e arredondamento automático do troco em cada compra. A Fasset opera em 125 países e no Brasil a Tether já tem aporte na fintech Parfin, parte da expansão do ecossistema de ativos digitais na América Latina.
Tether Gold Card: como funciona
Recurso
Detalhe
Rede de pagamento
Visa (global)
Moeda de gasto
Dólar americano (USD)
Cashback
Até 6% em XAU₮ (escalonado por volume)
Arredondamento automático
Troco de cada compra investido em XAU₮
Volume anualizado (Fasset)
US$ 32 bilhões
Ativos do mundo real
95% do volume da Fasset
Características do cartão Tether Gold Card. Fonte: Finextra
Como funciona a camada de ouro sobre os gastos
O cartão opera na rede Visa, permitindo compras em dólares em qualquer estabelecimento global. A novidade está nas camadas de recompensa: um sistema escalonado de cashback oferece até 6% em XAU₮ sobre transações elegíveis, enquanto a função de arredondamento automático converte o troco de cada compra em ouro tokenizado em tempo real, direto na carteira da Fasset.
Para alimentar o ecossistema de recompensas, a Tether compromete até US$ 1 milhão em XAU₮. “Historicamente, o ouro tem sido uma reserva de valor e não um meio de troca. Isso muda essa narrativa”, disse Paolo Ardoino, CEO da Tether. O produto também prevê integração com ATMs globais, embora detalhes operacionais sobre a rede de caixas ainda não tenham sido divulgados.
O mecanismo de acumulação passiva é o diferencial de design: não exige ação deliberada do usuário para investir em ouro. Cada compra no supermercado, farmácia ou restaurante contribui automaticamente para a posição em XAU₮.
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Fasset e os mercados onde a volatilidade cambial pede hedge
A Fasset é um neobanco de stablecoins com foco em mercados emergentes da Ásia e da África, com licenças regulatórias em UAE, Indonésia, Malásia, União Europeia, Turquia e Paquistão. A plataforma captou US$ 26,7 milhões e reporta volume anualizado de US$ 32 bilhões, com 95% mantido em ativos do mundo real. “Por mais de mil anos, o ouro tem sido a reserva de valor mais confiável em nossos mercados. Estamos trazendo-o para a era digital”, disse Mohammad Raafi Hossain, CEO da Fasset.
O produto testa uma tese estrutural: ouro tokenizado pode migrar da categoria de reserva passiva para instrumento de pagamento cotidiano. A viabilidade depende de dois fatores que o lançamento ainda não responde. Primeiro, se a estrutura de cashback escalonado em XAU₮ é suficiente para criar hábito de uso em populações acostumadas a recompensas em milhas ou cashback em dinheiro. Segundo, se a integração com a rede de cartões resolve o problema de liquidez do XAU₮: o usuário acumula ouro, mas no momento da despesa o sistema converte para USD.
Para emissores de stablecoins lastreadas em commodities, o modelo do cartão é um blueprint relevante: combina produto financeiro regulável com token nativo e acumulação automática que não exige sofisticação do usuário. Grandes bancos digitais já testaram pagamentos com stablecoin por cartão, e o movimento global de redes de pagamento integrando ativos digitais em produtos de recompensa tende a se acelerar.