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Inteligência ArtificialIA · BlackRock

Fink, presidente da BlackRock, diz ter inveja do Pix

Larry Fink declarou ter inveja do Pix, classificou IA como deflacionária e citou a energia do Brasil como vantagem na corrida por data centers.

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· 3 min

Atualizado em

Pix por aproximação
Foto: Reprodução

Larry Fink, presidente da BlackRock, a maior gestora de ativos do mundo, declarou em evento da Amcham em Nova York que tem inveja do Pix, classificou a inteligência artificial como uma força deflacionária e apontou o potencial energético do Brasil como vantagem competitiva na corrida global por infraestrutura de IA.

Larry Fink na Amcham: principais posições

Tema Posição
Inteligência artificial Deflacionária, sem bolha: demanda maior que oferta
Margens corporativas Superando estimativas com ganhos de produtividade
Brasil Energia pode ser “florescer” na corrida por IA
Pix Exemplo de abertura tecnológica; Fink declarou ter inveja
Infraestrutura global Mais de US$ 30 trilhões necessários só nos EUA
Contas de investimento Necessidade de contas individualizadas desde a infância

Posições de Larry Fink no evento BlackRock e Amcham. Fonte: Valor Econômico

IA deflacionária, sem bolha, com margens em alta

“Estou mais otimista que há três anos e muito mais otimista que há cinco anos”, disse Fink. O executivo negou que haja uma bolha de IA e explicou o paradoxo aparente: a demanda por capacidade computacional cresce mais rápido do que a oferta, o que é uma questão de suprimentos, não de especulação. Segundo ele, os lucros das empresas estão superando estimativas e as margens melhoram pelos ganhos de produtividade da tecnologia.

A tese é a mesma defendida na Carta Anual de 2026 da BlackRock: a IA cria riqueza em velocidade sem precedentes, mas aprofunda a diferença entre quem possui ativos e quem apenas trabalha. Daí a posição sobre contas de investimento: “O capital está crescendo mais rápido que os salários”, afirmou. “Com IA, isso só vai acelerar. É fundamental que se criem contas de crianças.”

Brasil, energia e o elogio ao Pix

Fink citou dois pontos de vantagem do Brasil. O primeiro é a matriz energética: segundo ele, a demanda por IA vai exigir enormes volumes de energia para data centers, e países como o Brasil e a Índia, com capacidade de expandir a oferta, podem se beneficiar estruturalmente. O segundo é a mentalidade aberta à tecnologia: ao citar o Pix como exemplo, Fink disse ter inveja do sistema de pagamentos instantâneos do Brasil, um comentário com peso específico vindo do CEO da maior gestora de ativos do mundo.

O Pix e o Open Finance já consolidaram o Brasil como referência de laboratório global em pagamentos. Para Fink, isso reflete uma mudança na América Latina: após décadas de governos fracos, países da região começam a virar a página, com Argentina e Venezuela como exemplos citados. Também destacou a necessidade de infraestrutura global.

“Vai haver muita necessidade de infraestrutura no processo de digitalização e descarbonização do mundo. Haverá necessidade de centenas de trilhões de dólares, mais de US$ 30 trilhões só nos Estados Unidos”. A IA generativa já pressiona bancos e fintechs a modernizar a infraestrutura, e o argumento de Fink é que essa pressão é global e crescente.

O que observar

O posicionamento de Fink sobre o Pix é relevante porque vai além do elogio protocolar a um mercado emergente. Gestores de ativos globais com presença crescente no Brasil têm interesse direto em infraestruturas que ampliem o acesso a investimentos, e o Pix é o canal que mais evoluiu nessa direção no varejo financeiro. Vale acompanhar se esse tipo de declaração precede movimentos concretos de grandes gestoras em produtos voltados ao investidor de varejo brasileiro.

Sobre a tese deflacionária da IA: o argumento de que demanda supera oferta hoje não exclui o risco de bolha no médio prazo, à medida que capacidade computacional se acumula antes que os ganhos de produtividade apareçam nos resultados agregados. A pergunta é se os lucros que hoje superam estimativas refletem eficiência estrutural ou apenas otimismo antecipado do mercado.

Fontes: Valor EconômicoBlackRock

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