Em audiência pública na CAE do Senado, Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, afirmou que o Pix não rivaliza com o cartão de crédito: os dois cresceram juntos desde 2020, porque o Pix bancarizou quem estava fora do sistema e, com isso, gerou novos correntistas com cartão.
Pix em números
| Indicador |
Dado |
| Brasileiros que usam Pix (2024) |
76,4% da população |
| Crescimento em pagamentos de educação (2025) |
+21% / R$ 690M movimentados |
| Projeção no e-commerce (2028) |
~50% das transações |
Dados de adoção do Pix. Fonte: CNN Brasil
O argumento da bancarização
A posição de Galípolo na audiência da CAE apoia-se em dados de base: quando o Pix foi criado, ele incorporou uma parcela da população que não tinha conta bancária. Ao abrirem conta, essas pessoas passaram a ter acesso a outros produtos financeiros, incluindo o cartão de crédito. O crescimento simultâneo dos dois meios seria, portanto, uma consequência do mesmo movimento.
“O Pix incluiu pessoas que estavam à margem do sistema, que passaram a ter contas bancárias e, consequentemente, cartão de crédito”, afirmou o presidente do BC. A tese é a mesma sustentada pelo antecessor: Campos Neto já defendia que o Pix impulsionou a bancarização no Brasil, consolidando uma narrativa institucional do Banco Central em torno do papel do pagamento instantâneo na inclusão financeira.
Pix lidera pagamentos e avança no crédito
Desde 2024, o Pix é a principal forma de pagamento dos brasileiros, com uso registrado em 76,4% da população. O crescimento segue em segmentos específicos: pagamentos de mensalidades em escolas e instituições de ensino superior via Pix avançaram 21% em 2025, com R$ 690 milhões movimentados, segundo dados da Gennera obtidos pela CNN Brasil. Segundo a Ebanx, o meio de pagamento está prestes a responder por metade das transações no e-commerce até 2028.
A fronteira com o crédito também se estreitou. O Pix Parcelado já é usado por mais da metade dos brasileiros, levando o pagamento instantâneo para o território que era exclusivo do cartão de crédito. O argumento de complementaridade, portanto, convive com uma disputa real de fatia no crédito ao consumidor.
O que observar
O argumento de Galípolo é tecnicamente válido para o período de expansão: o Pix incluiu novos usuários do sistema financeiro, e esses ganharam acesso ao cartão de crédito. Mas esse efeito de bancarização é de uma fase inicial. O ponto que vale acompanhar é o comportamento das coortes já bancarizadas: para quem já tem cartão e Pix, a escolha entre os dois em cada transação é concorrência direta.
O Pix Parcelado aprofunda essa disputa no crédito ao consumidor, que é a margem mais lucrativa para os emissores de cartão. A declaração do presidente do BC no Senado não muda esse cenário, mas posiciona o BC como árbitro neutro em um debate que os bancos emissores de cartão e as bandeiras observam com atenção.
Fontes: CNN Brasil • Let’s Money • Let’s Money • Let’s Money