O Banco Central divulgou que 142 milhões de brasileiros, 93% da população adulta, iniciaram ao menos uma transação via Pix em abril de 2026, enquanto o Drex segue sem prazo ou confirmação de lançamento, segundo dados apresentados por Breno Lobo, chefe da Divisão de Gestão de Sistemas Pix do BC e vice-chefe do Decem, em webinar da FGV Direito Rio nesta quinta-feira, 14 de maio.
Pix em números (maio de 2026)
| Métrica |
Valor |
| Usuários com ao menos 1 transação (abril/2026) |
142 milhões (93% dos adultos) |
| Comerciantes recebendo via Pix (abril/2026) |
12 milhões |
| Transações em 2025 |
80 bilhões (+25% vs. 2024) |
| Transações per capita em 2025 |
374 por pessoa |
| Beneficiários sociais que usam Pix |
74% |
| Bancarização (2024 vs. 2019) |
96,4% vs. 77,3% |
| Fraudes por 100 mil transações |
5 (eram 12 em meados de 2024) |
Dados apresentados por Breno Lobo (BC) no webinar da FGV Direito Rio, 14 de maio de 2026. Fonte: Mobile Time
Pix chega a 93% dos adultos e reflete bancarização acelerada
Em abril, 12 milhões de comerciantes também registraram recebimentos via Pix. A expansão do sistema acompanhou uma mudança estrutural na bancarização: em 2024, 96,4% dos brasileiros possuíam conta em banco ou fintech, ante 77,3% em 2019. “Tivemos uma forte redução do uso do dinheiro, contribuímos para a digitalização do mercado de pagamentos de varejo do país e para a inclusão financeira”, disse Lobo. O presidente do BC havia atribuído ao Pix papel central no processo de bancarização sem canibalização dos cartões.
Em 2025, o Pix registrou 80 bilhões de transações, crescimento de 25% em relação ao ano anterior, com 374 operações per capita no período. O alcance entre populações de menor renda ficou evidente nos dados sobre benefícios sociais: 74% dos brasileiros que recebem programas de assistência usam o Pix. “O Pix não é algo que somente os mais escolarizados ou aqueles com alto nível financeiro usam. É um sistema que é fácil de usar para todos os brasileiros”, completou Lobo.
Fraudes caem de 12 para 5 por 100 mil transações
O volume de fraudes no Pix, que chegou a 12 ocorrências por 100 mil transações em meados de 2024, caiu para cinco atualmente. Lobo contextualizou o patamar anterior: “Não é um número relativamente alto, mas representou mais de 400 mil fraudes por mês. É como se 400 mil brasileiros tivessem perdido dinheiro através de transações fraudulentas.” A redução veio após o BC introduzir um conjunto de obrigações técnicas, supervisão ativa e penalidades para instituições que não implementassem os controles exigidos pelo regulador.
Drex encerra dois pilotos com escalabilidade e privacidade em aberto
Sobre o Drex, Lobo confirmou que dois pilotos foram realizados e encerrados em 2025. “Tivemos alguns problemas em relação à escalabilidade e à privacidade”, admitiu. Com os percalços, o BC reorienta a estratégia e busca casos de uso em pagamentos e crédito, testando inclusive uma versão de blockchain “mais centralizada”. A postura institucional é de cautela: “Ainda é um projeto estratégico para o BC, mas não sabemos quando vamos lançá-lo e se vamos lançá-lo”, disse Lobo.
A visão de longo prazo permanece: “Ele está se tornando uma infraestrutura financeira de mercado para contratos inteligentes, ativos tokenizados e para melhorar o desempenho desses ativos.” O BC havia previsto integração entre Pix, Drex e Open Finance até 2029.
O que observar
Com 93% da população adulta já usando o Pix, a expansão de usuários individuais se aproxima de um teto natural. O crescimento futuro depende de aprofundamento do uso, adesão de mais comerciantes e expansão de modalidades como parcelamento e débito automático, segmentos ainda em desenvolvimento. A curva de fraudes é o dado mais operacionalmente relevante: mesmo com a redução para cinco por 100 mil transações, o volume total de ocorrências em escala permanece alto, o que mantém a pressão regulatória sobre as instituições participantes.
A declaração sobre o Drex, “não sabemos quando vamos lançá-lo e se vamos lançá-lo”, representa uma mudança de comunicação em relação a posições anteriores do BC. O foco em casos de uso concretos de pagamentos e crédito, antes de garantir a infraestrutura tecnológica definitiva, inverte a lógica dos pilotos anteriores. O teste é se uma versão mais centralizada consegue demonstrar utilidade prática suficiente para justificar a transição para arquiteturas distribuídas em um segundo momento.
Fontes: Mobile Time • Let’s Money • Let’s Money