Um relatório da ACI Worldwide e do Cebr projeta que o ecossistema Pix deve adicionar US$ 49,9 bilhões ao PIB formal do Brasil até 2028, o maior impacto projetado na América Latina. Ao mesmo tempo, Peru, Chile e Argentina entram em uma fase decisiva de adoção de pagamentos em tempo real que pode incluir até 2,6 milhões de pessoas no sistema financeiro formal nesses três mercados.
Pagamentos em tempo real na América Latina: projeções até 2028
| País / Sistema |
PIB adicional |
Inclusão financeira |
| Brasil (Pix) |
US$ 49,9 bi |
n.d. |
| Argentina |
US$ 19,3 bi |
1,1 milhão de pessoas |
| Chile |
US$ 740 mi |
83 mil pessoas |
| Peru |
US$ 376 mi |
1,4 milhão de pessoas |
| Colômbia (Bre-B) |
US$ 282 mi |
5,1 milhões de pessoas |
Projeções do relatório ACI Worldwide e Cebr para 2028. Fonte: FF News
Pix e Colômbia como referência para a região
O Brasil, com o Pix em operação desde 2020, e a Colômbia, com o sistema Bre-B, são tratados no estudo como os benchmarks que demonstram o potencial transformador de infraestruturas de pagamentos instantâneos. No caso colombiano, o impacto mais expressivo está na inclusão: o Bre-B deve integrar 5,1 milhões de pessoas ao sistema bancário formal até 2028, a maior expansão de inclusão financeira projetada em toda a América Latina, segundo o relatório.
Peru, Chile e Argentina: cada mercado em seu ponto de partida
O relatório projeta trajetórias distintas para cada um dos três países. Na Argentina, as reformas regulatórias e o crescimento acelerado das fintechs são os principais vetores: a projeção de US$ 19,3 bilhões em PIB adicional é a mais alta entre os mercados em fase inicial, o que reflete a escala da economia e a velocidade da digitalização. Peru e Chile partem de volumes menores, mas com perfis de inclusão relevantes: o Peru deve integrar 1,4 milhão de pessoas ao sistema bancário, enquanto o Chile foca na ampliação do uso cotidiano além dos pagamentos entre pessoas físicas.
“Cada mercado está entrando nesta próxima fase a partir de um ponto de partida diferente”, disse Mauricio Fernández, líder de pagamentos em tempo real para a América Latina da ACI Worldwide. O estudo também serve de pano de fundo para o debate sobre a revolução de pagamentos na América Latina.
O que observar
Os números projetados variam significativamente entre os três mercados, mas o estudo não detalha os efeitos de fatores macroeconômicos específicos de cada país sobre as projeções. Vale acompanhar se a adoção de pagamentos em tempo real em economias com histórico de instabilidade monetária ou alta dependência de moeda física segue a mesma curva observada em mercados mais estáveis. A aceleração real vai depender da velocidade das reformas de interoperabilidade e do incentivo regulatório em cada jurisdição.
Uma nota metodológica relevante: o estudo foi encomendado por uma fornecedora de tecnologia de pagamentos com interesse comercial na expansão desse mercado. As projeções são elaboradas por uma consultoria econômica independente com base em modelos de eficiência e produtividade, mas representam estimativas em cenários de adoção favorável, não projeções conservadoras. O Pix serve de parâmetro, mas o contexto regulatório e o nível de bancarização do Brasil no momento de seu lançamento eram distintos dos mercados analisados.
Fontes: FF News • Let’s Money: Abroad e Bre-B • Let’s Money: Pix, Oxxo e Bre-B