O Pix consolidou a liderança do Brasil em pagamentos conta a conta na América Latina: 42% do valor transacionado no e-commerce em 2025, ante 6% no México e Peru e 15% na Argentina, segundo o Global Payments Report 2026 da Global Payments. Em carteiras digitais, o país registra apenas 10%, abaixo de todos os vizinhos da região.
E-commerce na LatAm: conta a conta vs carteiras digitais (2025)
| País |
Conta a conta |
Carteiras digitais |
| Brasil |
42% |
10% |
| Argentina |
15% |
39% |
| Chile |
12% |
23% |
| Colômbia |
34% |
29% |
| México |
6% |
26% |
| Peru |
6% |
44% |
Participação no valor transacionado no e-commerce em 2025. Fonte: Finsiders Brasil
O Pix e a erosão do débito e do dinheiro em espécie
Além do e-commerce, o Pix respondeu por 34% do valor transacionado nos pontos de venda físicos em 2025, e o impacto mais direto foi sobre o cartão de débito. “Quando você vai, por exemplo, para o mundo físico, com certeza roubou o mercado do cartão de débito”, disse Juan Pablo D’Antiochia, gerente-geral do negócio Enterprise da Global Payments na América Latina. No mundo virtual, o débito sempre teve participação reduzida no Brasil, diferente do restante da América Latina, que utiliza muito cartão de débito no e-commerce.
O retrocesso do dinheiro em espécie é outro marco do relatório: o uso de espécie no Brasil já atingiu níveis próximos aos dos Estados Unidos e do Reino Unido. Para D’Antiochia, o diferencial do Pix vai além da eficiência financeira: “O que foi inovador do Pix foi a facilidade de uso e, para mim, a repercussão maior que o produto trouxe é a inclusão financeira, que está transformando um país como o Brasil, com 200 milhões de pessoas, numa sociedade ‘cashless’.” O instrumento, que já é usado por 80% dos brasileiros no dia a dia, segue sem paralelo regional em termos de penetração.
Projeção 2030: Pix avança, crédito recua nos dois canais
No e-commerce, a participação do Pix deve subir de 42% para 44% até 2030, enquanto as carteiras digitais avançam de 10% para 15%. O cartão de crédito recua de 40% para 34%, o débito de 4% para 2% e o espécie de 3% para 1%. Nos PDVs, a expansão é mais pronunciada: Pix deve saltar de 34% para 46%, e carteiras digitais de 12% para 16%, com crédito caindo de 31% para 24% e débito de 9% para 5%.
O boleto também está em transformação. Na avaliação de D’Antiochia, o instrumento tende a se consolidar como ferramenta de apresentação de faturas mais do que como meio de pagamento: “O boleto vai se transformar, mais do que um meio de pagamento, numa ferramenta de apresentação de faturas, que é o que sempre deveria ter sido.” Enquanto isso, startups brasileiras já levam o modelo do Pix a outros países da região, enquanto Colômbia e Peru desenvolvem sistemas de pagamentos instantâneos próprios.
O que observar
A assimetria entre liderança em conta a conta e posição modesta em carteiras digitais revela uma escolha estrutural do mercado brasileiro: o país canalizou adoção para infraestrutura de transferência direta, enquanto vizinhos desenvolveram plataformas com crédito embutido, programas de benefícios e gestão financeira integrada. A pergunta relevante é se provedores de pagamentos vão incorporar funcionalidades de valor agregado para disputar o espaço que hoje vai para operadores regionais, especialmente à medida que o Pix Automático e o Open Finance ampliam possibilidades de serviços financeiros integrados.
Para o varejo físico, a trajetória é mais definida: Pix em 46% dos PDVs em 2030 consolida a erosão do débito e do espécie. O ritmo de queda do cartão de crédito no físico, de 31% para 24%, é o dado a acompanhar, pois esse instrumento ainda sustenta parcelamento sem juros e programas de fidelidade que o Pix não replica de forma nativa.
Fontes: Valor Econômico • Finsiders Brasil • Global Payments Report 2026