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PixPix · Banco Central

BC estuda barrar ofensas e ameaças no campo do Pix

O Banco Central estuda medidas contra o uso do campo de mensagem do Pix para ofensas e ameaças e criou um grupo de trabalho no Fórum Pix.

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· 3 min

Atualizado em

gustavomellossa / Shutterstock.com

O Banco Central colocou na mira um problema que nasceu de um detalhe do Pix: o campo de mensagem. A autoridade monetária avalia medidas contra o uso indevido do espaço reservado à descrição da transferência, que deveria servir para dados objetivos da operação e virou veículo de ofensas e ameaças. A avaliação aparece na nova edição do Relatório de Gestão do Pix, divulgada nesta semana.

Segundo o BC, a descrição foi pensada para que o pagador anote informações objetivas sobre a operação, mas passou a ser usada para “fins alheios ao propósito original”. Nada foi decidido ainda: o regulador estuda o tema e só vai regular se achar necessário.

Um recado que virou ameaça

O desvio de função tem endereço claro. O campo tem carregado mensagens de ofensa, intimidação e ameaça, muitas vezes grudadas a transferências de valor simbólico, usadas menos para pagar e mais para incomodar. É o lado sombrio de uma ferramenta pensada para facilitar a vida de quem envia dinheiro.

Para tratar do assunto, o BC montou um grupo de trabalho dentro do Fórum Pix, reunindo associações do ecossistema. O objetivo declarado é achar saídas que protejam a integridade do sistema e a experiência de quem usa, sem mexer no que faz o Pix funcionar. “Com base nas conclusões desse trabalho, o BC avaliará e instituirá, se julgar necessário, as medidas regulamentares adequadas para coibir o uso inadequado do campo de mensagens”, disse o BC.

Parte de uma faxina maior no Pix

A discussão não corre sozinha. O mesmo relatório aparece num momento em que o regulador aperta o cerco sobre a segurança do arranjo, e o próprio Fundo Monetário Internacional já elogiou o Pix, mas alertou para fraudes e ciberataques. Enquanto isso, sistemas de pagamento instantâneo de outros países passam por revisões parecidas, como o UPI indiano, que reavalia suas próprias regras. O peso da decisão brasileira vem da escala do instrumento.

O Pix em 2025

Transações no ano quase 80 bilhões
Valor movimentado +R$ 35 trilhões
Pessoas que usaram Pix 148 mi (86% do país)
Chaves cadastradas +920 milhões

Dados do Pix em 2025, no Relatório de Gestão do Pix. Fonte: Valor Econômico

Não é a única frente aberta. Na mesma leva, o BC também estuda criar um indicador de “probabilidade de fraude” para dar mais segurança às transferências, sinal de que a governança do sistema entrou numa fase de ajuste fino depois de cinco anos no ar.

O que observar

O nó é de desenho: um campo de texto livre agrega utilidade para quem paga, mas abre porta para abuso quando o custo de mandar uma mensagem é o de uma transferência de centavos. Vale acompanhar até onde o regulador vai mexer sem quebrar a simplicidade que popularizou o instrumento, se a solução virá por regra dura ou por filtros e limites técnicos, e como as instituições que operam as carteiras vão ter de tratar denúncias de mensagens abusivas dentro do fluxo de pagamento.

Fontes: Valor EconômicoForbes BrasilLet’s MoneyLet’s Money

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