A Bradesco Vida e Previdência lançou o Proteção a Dois, previdência que une cobertura de morte e reserva financeira em um único contrato para duas pessoas. O público-alvo são casais sem filhos, parentes, amigos e sócios de pequenos negócios, perfis que ficam fora do foco clássico de aposentadoria e sucessão dos PGBLs e VGBLs.
Estrutura do Proteção a Dois
| Item |
Dado |
| Composição |
Cobertura de morte + reserva financeira em um contrato |
| Rentabilidade |
IPCA + 2,5% (fixa) |
| Aportes |
Mensais ou único; resgate do acumulado a qualquer momento |
| Economia vs dois seguros de vida individuais |
30% a 40% mais barato |
| Público-alvo |
Casais, parentes, amigos e sócios |
| Mercado endereçável de casais sem filhos (IBGE) |
13,9 milhões de lares (24% do total) |
| Queda da captação bruta de previdência em 12 meses até jan/26 (Fenaprevi) |
R$ 157 bilhões |
Estrutura do Proteção a Dois. Fonte: NeoFeed
Como funciona o Proteção a Dois
Diferentemente dos PGBLs e VGBLs, o Proteção a Dois não entrega renda de aposentadoria: o foco é proteger os dois segurados em caso de sinistro, com comportamento de seguro resgatável. A rentabilidade é fixa em IPCA+2,5%, sem vinculação a fundos de investimento, e o valor acumulado pode ser sacado a qualquer momento conforme as regras do plano contratado. Os aportes podem ser mensais ou únicos.
“A beleza do produto é que ele é cerca de 30% a 40% mais barato do que você contratar individualmente dois seguros de vida, em que um cobre o outro. Além de também formar uma reserva financeira como um seguro resgatável”, disse Estevão Scripilliti, diretor da Bradesco Vida e Previdência. Para o executivo, a proposta retoma a lógica atuarial que marcou o setor nos anos 1980 e 1990, antes da concentração atual em produtos de acumulação.
O vácuo deixado pelo VGBL
O lançamento responde a uma mudança estrutural no mercado. Segundo dados da Fenaprevi citados pela seguradora, a captação bruta de previdência caiu R$ 157 bilhões nos 12 meses até janeiro, movimento atribuído à taxação de IOF de 5% sobre grandes aportes no VGBL, produto que responde por cerca de 90% da indústria. A competição migrou para portabilidade e migração de reservas já constituídas, num formato que o setor apelidou de “rouba-monte”.
Nesse cenário, a Bradesco Seguros aposta em ampliar a oferta para perfis fora do público tradicional de casal com filhos. Dados do último Censo mostram que casais sem filhos já somam 24% dos lares brasileiros, ou 13,9 milhões de famílias, e são a composição familiar que mais cresceu desde 2000. “Se a gente conseguir 10% desse mercado endereçável, já seria bastante coisa”, afirma Scripilliti. O movimento acontece em paralelo à discussão de valor de mercado do braço de seguros do banco, avaliado em até R$ 130 bilhões após o anúncio do spinoff da Bradsaúde.
O que observar
O movimento é um teste de apetite da própria indústria por produtos híbridos de seguro e acumulação depois de um ciclo em que a previdência no Brasil ficou concentrada na parte financeira. Se der tração, abre espaço para que outras seguradoras revejam o desenho de planos dominados por fundo e taxa de carregamento, e pode colocar pressão regulatória sobre a Susep e a Fenaprevi para normatizar produtos de risco que fogem do formato tradicional.
Vale acompanhar três frentes. A primeira é demografia: se o perfil de casais sem filhos mantiver o ritmo visto no Censo, o tamanho do mercado potencial cresce sem esforço comercial, o que muda a matemática de unit economics para seguradoras e corretores. A segunda é a resposta de insurtechs e novas seguradoras digitais, que podem ocupar a mesma faixa com produtos sem burocracia de corretor tradicional. A terceira é o efeito de compliance: a taxação de IOF sobre grandes aportes mantém a pressão sobre o VGBL, e novos produtos híbridos serão o primeiro termômetro de como a indústria compensa a perda de originação.
Fontes: NeoFeed • Let’s Money | Bradesco Seguros pode valer até R$ 130 bi • Let’s Money | Azos capta R$ 125 mi em seguro de vida com IA