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BC reformula regras do FGC após rombo de R$ 50 bi do Master

Resolução publicada hoje muda cálculo do Ativo de Referência, do PLA e do VR no FGC, em resposta ao rombo de R$ 50 bi do Banco Master.

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Atualizado em

Foto: Agência Brasil

O Banco Central publicou nesta sexta-feira (29) resolução que reformula as métricas de contribuição de bancos ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), introduzindo novo indicador de qualidade de ativos e atualizando o cálculo do patrimônio líquido. A medida é resposta direta ao rombo de mais de R$ 50 bilhões gerado pela liquidação do Banco Master em novembro.

As três métricas reformuladas pelo BC

Indicador Mudança
Ativo de Referência (AR) Novo indicador: mede qualidade, diversificação e transparência dos ativos
Patrimônio Líquido Ajustado (PLA) Passa a incluir capital complementar e de nível II
Valor de Referência (VR) A partir de nov/2026: créditos inelegíveis à garantia são excluídos do cálculo

Mudanças nas métricas de contribuição ao FGC. Fonte: Valor Econômico

Como as três métricas do FGC funcionam na prática

O Ativo de Referência (AR), instituído pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é um indicador que deve refletir a qualidade, a diversificação e a transparência dos ativos mantidos pela instituição. “Sempre que o VR, que representa a exposição potencial do FGC aos instrumentos de captação das instituições, superar o AR, a instituição deverá aplicar recursos equivalentes à diferença em títulos públicos, reforçando sua liquidez e capacidade de enfrentar riscos”, diz o BC. Na prática, o mecanismo cria uma trava automática: carteiras de ativos concentradas ou pouco líquidas obrigam o banco a direcionar mais recursos para papéis do Tesouro.

No Patrimônio Líquido Ajustado (PLA), “[…] passam a ser incluídos no cálculo instrumentos de capital complementar e de nível II, que reforçam a base de capital das instituições em situações adversas”, diz o BC. A mudança amplia a base computável para fins de contribuição ao fundo e torna o PLA um indicador mais robusto de absorção de perdas. A reformulação chega após a flexibilização do compulsório pelo BC para liberar caixa ao FGC e os R$ 32,5 bilhões antecipados pelos bancos para cobrir o rombo.

A mudança no Valor de Referência (VR) entra em vigor em novembro de 2026. Os depositários centrais de ativos financeiros passarão a fornecer dados sobre créditos cujos titulares não são cobertos pela garantia do FGC. “Esse detalhamento permitirá a exclusão de créditos de titulares inelegíveis à garantia da base de cálculo do VR, permitindo a melhor calibração da exposição de risco”, afirma o BC. Para bancos com alta concentração de investidores corporativos, a exclusão tende a reduzir o VR calculado e, consequentemente, a obrigação de alocar recursos em títulos públicos. Analistas projetam impacto de até 1,9% no lucro dos bancos em 2026 em razão das contribuições ao fundo.

O que observar

O novo Ativo de Referência responde a uma fragilidade estrutural revelada pela crise de 2025: o FGC pode ser drenado rapidamente quando uma instituição acumula grandes volumes de depósitos cobertos com ativos concentrados ou pouco líquidos. O mecanismo de trava automática, que obriga alocação em títulos públicos quando o VR supera o AR, é preventivo, mas sua eficácia depende de dois fatores: a qualidade dos ativos reportados e a frequência com que o indicador é recalibrado. Vale acompanhar se os critérios de diversificação do AR são suficientemente granulares para captar a deterioração antes de uma crise.

Com a mudança do VR prevista para novembro, os bancos terão dois calendários de compliance distintos para a nova regulação. Instituições com base de captação pulverizada entre pessoas físicas, que são os titulares elegíveis à garantia, são as menos impactadas pelo ajuste do VR. Para carteiras com maior participação de pessoas jurídicas e outros titulares inelegíveis, o recálculo reduz a base de cálculo do VR e, potencialmente, a contribuição compulsória para o fundo. O desafio regulatório será manter o incentivo à qualidade de ativos sem criar assimetrias entre modelos de negócio distintos.

Fontes: Valor EconômicoAgência Brasil

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