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IAIA · Lina Open X

A era do Agentic Finance começou, e o Brasil está mais pronto do que você imagina

Como a combinação entre Open Finance e Inteligência Artificial está transformando pagamentos, crédito e gestão financeira, e por que o Brasil largou na frente nessa nova fase do sistema financeiro

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· 6 min

Atualizado em

Por Murilo Rabusky, Diretor de Negócios da Lina Open X

Acabo de voltar de Nova York, onde participei do Mastercard Open Finance & AI Summit 2026, realizado em 5 de fevereiro, e posso afirmar: a Inteligência Artificial deixou de ser uma promessa tecnológica e se tornou utilidade industrial no setor financeiro.

O que testemunhei não foi apenas uma evolução de ferramentas, mas o início de uma nova era em serviços financeiros, impulsionada pela combinação entre Open Finance e IA autônoma, o chamado Agentic Finance.

O que é a “Economia dos Agentes”?

O tema central do evento foi o que a Mastercard chama de “Economia dos Agentes”, a combinação explosiva de dados de Open Finance com Inteligência Artificial. Não estamos mais falando de chatbots que apenas recomendam produtos. Estamos falando de agentes de IA autônomos capazes de tomar decisões e executar transações completas em nosso nome.

Durante os painéis, ficou claro que 2026 marca o início de uma era onde delegamos tarefas financeiras complexas para assistentes de IA. Imagine pagar contas, renovar seguros ou contestar cobranças sem mover um dedo, porque os agentes fazem isso por você, usando o Mastercard Agent Suite. 

Mas aqui está o ponto fundamental que me chamou atenção: confiança é não-negociável. A Mastercard está desenvolvendo protocolos de segurança rigorosos para garantir que, quando uma IA executa uma compra em seu nome, a autenticação e os limites de gastos sejam verificados e controlados. Sem isso, o sistema todo desmorona.

Open Finance: de conceito a infraestrutura estratégica

O Brasil já é o maior ecossistema de Open Finance do mundo. Em dezembro de 2025, o país havia alcançado 128 milhões de consentimentos ativos, à frente de 78 outras nações com regulação similar, um feito que reflete maturidade técnica e volume real de uso.

Esse marco não é apenas numérico, significa que os dados financeiros estão fluindo com segurança e com consentimento explícito dos usuários, algo essencial para alimentar os agentes de IA que analisam, decidem e atuam.  

Mas o Agentic Finance representa outro nível. Aqui, dados consentidos combinados com um arcabouço de permissões servem de base para agentes de IA tomarem decisões e executarem tarefas em nosso nome, em um escopo de autoridade pré-definido. É a diferença entre ter acesso aos dados e ter a capacidade de agir sobre eles com inteligência.

E essa transformação depende totalmente da qualidade dos dados. É aí que o Open Finance desempenha papel fundamental, resolvendo os desafios de acesso, disponibilidade, limpeza, categorização e classificação das informações. Segundo projeções da consultoria PwC Brasil, o Open Finance pode gerar até R$ 42 bilhões em novas receitas para instituições financeiras brasileiras até o final de 2026, com impacto significativo em crédito, serviços e ofertas personalizadas.

Essa base de dados é o que torna possível a verdadeira hiper-personalização de serviços desde recomendações inteligentes de planos até ofertas de crédito em tempo real no momento exato da necessidade do cliente. 

IA e confiança: o novo eixo das finanças digitais

Uma mensagem foi unânime entre os líderes presentes: confiança é o maior desafio do Agentic Finance. Com agentes de IA tomando decisões em nome dos usuários, a segurança precisa ser reforçada de maneira sofisticada e invisível.

Nesse novo mundo a biometria comportamental, ferramenta que analisa a forma de digitar ou segurar o celular, está substituindo senhas e até biometria facial simples. Além disso, estratégias de IA vs IA estão sendo desenvolvidas para detectar fraudes geradas por  deepfakes e modelos maliciosos em milissegundos.

Esse movimento responde a uma tendência global de risco cibernético acelerado, em que ataques sofisticados impulsionados por IA já são apontados como uma das maiores preocupações das organizações nos próximos anos. Segundo o Global Cybersecurity Outlook 2026, 87% das organizações identificaram vulnerabilidades relacionadas à IA como o risco cibernético de crescimento mais rápido em 2025, por isso, governança e monitoramento estão no centro da agenda.

PMEs no centro da revolução para democratizar a IA

Um dos pontos mais empolgantes do Summit foi a inclusão financeira de pequenas e médias empresas (PMEs), uma vez que ferramentas baseadas em dados de Open Finance e IA já estão sendo usadas para: prever buracos de caixa com semanas de antecedência, sugerir linhas de crédito preventivas e automatizar a gestão financeira e de fluxo de caixa.

Para microempreendedores, essa combinação pode significar a diferença entre manter as portas abertas ou falhar por falta de antecipação de risco, algo que bancos tradicionais demoraram décadas para oferecer com escala.

O que isso significa para o Brasil? 

Voltei de Nova York convencido de que o Brasil tem uma vantagem única nessa revolução. Somos o maior Open Finance do mundo, com uma infraestrutura já operacional que processa bilhões de transações semanalmente. Nossa familiaridade com o PIX, que quebrou a resistência das pessoas em compartilhar dados financeiros, criou terreno fértil para o Agentic Finance prosperar. 

Ou seja, o Brasil não alcançou esse ponto por acaso: tivemos regulação clara, avanço tecnológico rápido e uma cultura digital que abraçou modelos disruptivos antes de muitos mercados maduros.

Mas também ficou claro que existem desafios. A jornada de consentimento ainda limita a adesão das empresas, especialmente as de menor porte. Menos de 10% dos consentimentos no Brasil são de pessoas jurídicas e sabendo disso, o Banco Central já incluiu na agenda de 2026 a melhoria da jornada de Open Finance para empresas.

O futuro é agora e é agentic

O Mastercard Summit deixou uma mensagem clara: a IA já é uma infraestrutura essencial no setor financeiro. No entanto, o que falta agora não é tecnologia, são estratégias de adoção e execução que gerem valor real para pessoas e empresas.

A questão final que devemos responder como ecossistema não é “se vamos usar agentes de IA”, mas como vamos governar esses agentes com confiança, transparência e responsabilidade?

Porque, no fim das contas, você pode automatizar pagamentos, antecipar riscos e tomar decisões com IA, mas a confiança ainda precisa ser desenhada e gerida por humanos. E é essa combinação entre tecnologia poderosa com governança responsável, que definirá o sucesso do Agentic Finance nos próximos anos.

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Murilo Rabusky, economista, CMO na Lina Open X. Entusiasta do ecossistema global de inovações financeiras, iniciou sua carreira na ANBIMA e acumulou anos de experiência trabalhando no mercado de capitais brasileiro e latino-americano. Como consultor, teve a oportunidade de trabalhar em estreita colaboração com grandes players, como Bloomberg e Bolsa de Valores da Colômbia (BVC), ajudando organizações a adotar e implementar padrões internacionais do setor financeiro em processos e tecnologias que suportam as operações e as áreas de negócios. Na Lina Open X, em sua frente de atuação, lidera as iniciativas de desenvolvimento de negócios. 

Lina Open 

A Lina nasceu com o objetivo de construir soluções tecnológicas para apoiar instituições financeiras e seguradoras brasileiras em todas as necessidades relacionadas ao ecossistema de compartilhamento de dados e serviços do Open Finance. A empresa, que começou seus trabalhos no Open Banking, já é líder no Open Insurance e se consolidou como um dos mais importantes provedores de Open Finance do mercado brasileiro, sendo o parceiro estratégico de importantes instituições como B3, RTM e TecBan. Saiba mais: https://linaopenx.com.br/ 

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