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Open FinanceCrédito · Banco Central

Consumidores e pequenos negócios ganham espaço na expansão do crédito via Open Finance

Demanda por crédito cresce entre MPEs enquanto Open Finance amplia possibilidades para consumidores e empresas

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· 4 min

PME
Imagem: Magnific

A busca das empresas brasileiras por crédito cresceu 11,2% no acumulado de 12 meses até agosto de 2026, segundo o Indicador de Demanda das Empresas por Crédito da Serasa Experian. Entre as micro e pequenas empresas, a alta foi de 11,4%, a maior entre os diferentes portes analisados. Na comparação entre agosto de 2026 e o mesmo mês de 2025, a procura por recursos financeiros avançou 5,3% no conjunto das empresas e 5,7% entre as MPEs.

No lado dos consumidores, o Open Finance passou a incorporar uma etapa mais diretamente relacionada ao crédito. Desde fevereiro de 2026, clientes podem realizar pelo sistema a portabilidade de crédito pessoal sem garantia e sem consignação. A modalidade permite autorizar o compartilhamento das informações de uma operação para que outra instituição avalie o contrato e apresente uma nova proposta. Segundo o Banco Central, a jornada pode ser concluída em até três dias úteis.

A mudança faz parte da evolução do Open Finance no sistema financeiro brasileiro. De acordo com o Banco Central, o sistema conectava 96 milhões de contas bancárias ao final de 2025 e reunia mais de 154 milhões de autorizações ativas. Ao longo daquele ano, a infraestrutura registrou mais de R$ 15 bilhões em pagamentos e transferências. O BC também informa que, entre 2021 e junho de 2025, o sistema ajudou a gerar R$ 31 bilhões em empréstimos com base em dados compartilhados.

Mais demanda por crédito entre pequenos negócios

O avanço da procura por recursos ocorre em diferentes setores da economia. No acumulado de 12 meses até agosto, a demanda por crédito cresceu 17% entre empresas de Serviços, 16,2% na Agropecuária, 8,4% na Indústria e 6,8% no Comércio, segundo a Serasa Experian.

O indicador mede a busca por crédito, e não significa que as operações tenham sido aprovadas ou efetivamente contratadas. O índice é construído a partir de CNPJs consultados em processos relacionados à concessão de crédito, segundo a metodologia da Serasa.

O dado ajuda a dimensionar o espaço para novas formas de análise financeira, especialmente entre negócios de menor porte. Com o Open Finance, informações de diferentes relações financeiras podem ser compartilhadas mediante autorização, ampliando os elementos disponíveis para avaliar a situação e as necessidades de cada empresa.

“Quando o crédito passa a ser analisado a partir de um conjunto mais amplo de informações, existe a possibilidade de construir uma visão mais completa da realidade financeira de cada negócio. Isso abre espaço para decisões mais contextualizadas e produtos mais aderentes às necessidades de quem está tomando o crédito”, afirma Murilo Rabusky, diretor de negócios da Lina Open X.

O que muda para consumidores e empresas

Para os consumidores, a portabilidade representa uma aplicação concreta do compartilhamento de dados na jornada de crédito. O cliente pode autorizar que as informações de uma operação sejam consultadas por outra instituição, que então avalia as condições existentes e pode apresentar uma nova proposta.

O alcance do Open Finance, no entanto, vai além dessa modalidade. O sistema permite o compartilhamento autorizado de informações sobre contas, cartões, operações de crédito, investimentos e câmbio. De acordo com o Banco Central, entre os possíveis benefícios estão a contratação de empréstimos mais baratos, o aumento de limites e o acesso a produtos em instituições com as quais o cliente ainda não possui relacionamento.

Para as pequenas empresas, a mesma infraestrutura pode ampliar a quantidade de informações consideradas em uma análise de crédito. Movimentações, recebimentos, pagamentos e outras informações financeiras, quando compartilhadas dentro das regras do sistema, podem contribuir para uma visão mais completa da operação.

Essa possibilidade ganha relevância em um momento de maior procura por recursos entre as MPEs. Em vez de depender exclusivamente das informações disponíveis em uma única instituição, a análise pode incorporar dados de diferentes relações financeiras autorizadas pelo negócio.

“O valor do Open Finance não está apenas em permitir o compartilhamento dos dados, mas em transformar essas informações em inteligência. Para o pequeno negócio, isso pode significar uma análise financeira mais próxima da sua operação e, consequentemente, uma experiência de crédito menos baseada em informações isoladas”, afirma Rabusky.

O desafio de transformar dados em crédito

O avanço do Open Finance coloca uma questão adicional para o mercado: como transformar o volume crescente de informações em decisões de crédito mais adequadas sem perder de vista o consentimento e o uso responsável dos dados.

Para consumidores, isso significa ter maior controle sobre quais informações compartilhar e em quais jornadas financeiras utilizá-las. Para empresas, especialmente as de menor porte, significa a possibilidade de apresentar uma visão mais ampla de sua operação quando busca crédito ou outros serviços financeiros.

O avanço do Open Finance começa, assim, a sair do compartilhamento de dados e chegar à operação de crédito. Para consumidores, a portabilidade amplia as possibilidades de negociação entre instituições. Para pequenos negócios, a integração de informações financeiras pode mudar a forma como essas empresas são avaliadas na busca por recursos.

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