Amazon e Meta têm reunião marcada com a National Payments Corporation of India (NPCI), ao lado de CRED, MobiKwik e outras plataformas, para pressionar contra o domínio combinado de 80% do Google Pay e do PhonePe no UPI, a rede de pagamentos instantâneos da Índia que processa 22,6 bilhões de transações por mês.
Concentração no UPI indiano, março 2026
| Indicador |
Valor |
| Google Pay + PhonePe (fatia combinada) |
~80% |
| Total de transações UPI (março) |
22,6 bilhões |
| Usuários cadastrados no PhonePe |
700 milhões |
| Comerciantes atendidos pelo PhonePe |
50 milhões |
| CEPs indianos com cobertura PhonePe |
98% |
Dados de mercado UPI em março de 2026. Fonte: TechCrunch
O teto de 30% que ficou no papel
A concentração no UPI não é nova. A Índia chegou a planejar um limite de 30% de participação de mercado por aplicativo, prazo adiado mais de uma vez e atualmente marcado para 31 de dezembro de 2026. O adiamento permitiu que o PhonePe e o Google Pay mantivessem posições muito acima desse patamar, aprofundando as preocupações dos concorrentes menores sobre sua capacidade de competir. A PhonePe, que avançou rumo ao IPO após aprovação regulatória, anunciou esta semana ter ultrapassado 700 milhões de usuários e 50 milhões de comerciantes, cobrindo mais de 98% dos CEPs do país.
Esse nível de penetração cria uma barreira difícil de superar. Para plataformas como Amazon Pay, CRED e o Super.money do Flipkart, a escala dos líderes se traduz em acesso preferencial a usuários, dados e funcionalidades do ecossistema. O UPI também atrai novos entrantes globais: a Apple preparava seu próprio lançamento no mercado indiano de pagamentos, evidenciando o apelo da rede mesmo para quem ainda está de fora.
O que os desafiantes exigem da NPCI
Segundo a agenda da reunião analisada pelo TechCrunch, as empresas afirmam que as práticas de integração de usuários e o uso de dados de contato pelos aplicativos dominantes criam vantagem indevida sobre os concorrentes menores. Entre as demandas estão restrições ao onboarding dos apps líderes, acesso igualitário a recursos como pagamento automático e mandatos de pagamento, além de incentivos regulatórios para novos participantes. Participam da reunião representantes de Amazon Pay, WhatsApp, CRED, MobiKwik e Super.money do Flipkart.
A NPCI, que opera sob supervisão do Reserve Bank of India, reconhece o problema, mas enfrenta um dilema operacional claro: qualquer intervenção brusca pode afetar as centenas de milhões de usuários que dependem do serviço diariamente. A organização, a Amazon, a Meta e as demais empresas não responderam a pedidos de comentários até a publicação desta reportagem.
O que observar
O caso indiano aponta um desafio recorrente para reguladores de pagamentos instantâneos: como promover competição em redes onde os benefícios de escala tendem a concentrar o mercado em poucos operadores. Quando uma infraestrutura aberta vira padrão nacional e um ou dois players se tornam infraestrutura de fato para comerciantes e consumidores, limitar participação de mercado tem custo operacional real, que os reguladores hesitam em pagar.
Vale acompanhar se o regulador vai anunciar alguma medida concreta nas próximas semanas, ou se a reunião resultará apenas em mais consultas. O histórico é de adiamentos: o teto de 30% foi postergado múltiplas vezes desde 2020, e a pressão adicional de grandes plataformas pode não ser suficiente para mudar esse padrão se o dilema entre competição e continuidade do serviço permanecer sem solução clara.
Fontes: TechCrunch • Let’s Money • Let’s Money