A Monarch, app de finanças pessoais dos EUA usado por mais de 1 milhão de membros para montar orçamento e planejar o dinheiro, fez a primeira aquisição da sua história: comprou a MBI, nome atual da HMBradley, fintech que trocou a conta digital pela venda de tecnologia a bancos. O negócio foi anunciado nesta quinta-feira (1º), junto com a marca de US$ 100 milhões em receita recorrente anual (ARR).
Quem compra e quem é comprada
Item
Monarch
MBI (ex-HMBradley)
O que faz
App de orçamento, acompanhamento e planejamento financeiro
Começou como conta que premiava a poupança; depois passou a vender tecnologia a bancos
Origem
Fundada em 2018
Lançada em 2020
Escala
Mais de 1 milhão de membros; US$ 100 milhões em ARR, só de assinaturas
Negócio de consumo encerrado em 2023
Comando
Val Agostino, cofundador e CEO
Zach Bruhnke, cofundador e CEO, vai liderar a Monarch Labs
Dados do comunicado da Monarch e da reportagem da Finextra. Fontes: Monarch e Finextra
Da conta que premiava a poupança à venda de tecnologia
A HMBradley estreou em 2020 com uma regra direta: quanto maior a fatia do dinheiro recebido que o cliente guardava, maior o rendimento anual (APY, na sigla em inglês) pago sobre o saldo. Mais tarde, a fintech criou as Routines, um conjunto de automações configuráveis em que gatilhos e ações guardam, transferem e organizam o dinheiro automaticamente.
Segundo a Finextra, a empresa desligou o negócio de consumo em 2023 e mudou de rota para oferecer sua tecnologia a bancos. Três anos depois, já com o nome MBI, acabou incorporada pela Monarch. No comunicado, a compradora destaca que o time soma uma década de experiência em serviços bancários de varejo e infraestrutura financeira, e que ergueu boa parte da base técnica que sustentava os próprios produtos.
“Entrar na Monarch nos dá escala, distribuição e confiança para andar muito mais rápido e ocupar um espaço muito maior na vida financeira das pessoas, sem deixar de fazer o que amamos”, disse Zach Bruhnke, cofundador e CEO da MBI, em tradução livre.
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O que a Monarch quer com a equipe
Bruhnke vai comandar a Monarch Labs, unidade criada para investigar novas frentes de crescimento e de produto. A ideia é passar mais rápido do teste ao desenvolvimento e levar mais ferramentas e serviços financeiros ao app. A meta declarada no longo prazo é concentrar ali tudo de que o membro precisa nas finanças.
A compra se soma a uma série de marcos de 2026, que inclui a estreia do plano premium Monarch Plus. Fundada em 2018 e financiada por FPV, Menlo Ventures, Accel e Forerunner, a Monarch tira toda a receita recorrente de assinaturas. “Essa escala nos dá a oportunidade de investir ainda mais na nossa missão, e trazer a equipe da MBI é uma parte importante desse próximo capítulo”, afirmou Val Agostino, cofundador e CEO da Monarch, em tradução livre.
Agostino conhece o setor por dentro: segundo a página de imprensa da Monarch, ele foi um dos primeiros líderes de produto do Mint, que cresceu até 2 milhões de usuários antes de ser comprado pela Intuit por US$ 170 milhões. A Intuit, que comprou o Mint, também aparece no currículo de outro nome que voltou às finanças pessoais: Bill Harris, ex-CEO da Intuit e do PayPal, lançou um app de IA para conselho financeiro.
Se a Monarch Labs levar conta ou rendimento ao app, a empresa entra num terreno em que fintech de consumo nos EUA costuma operar sobre um banco licenciado nos bastidores. Foi essa dependência que levou a Chime a acertar a compra do banco parceiro Stride.
O que observar
Até aqui, a receita da compradora vem da assinatura de uma ferramenta que organiza e exibe o dinheiro do cliente. Ao absorver um time que já operou conta, rendimento e automações financeiras, o comprador ganha atalho para oferecer produtos que vão além do painel. A pergunta é qual será a primeira entrega do novo laboratório e se ela exigirá parceria com bancos.
Vale acompanhar também o modelo de negócio: serviço financeiro novo pode abrir uma segunda linha de receita, e o desafio será fazer isso sem afastar quem paga justamente por uma ferramenta de controle.