A Plaid, do open banking dos EUA, e a carteira de identidade digital ID.me anunciaram uma parceria voltada a pagamentos de benefícios nos Estados Unidos. Segundo comunicado divulgado na quinta-feira, 17 de setembro de 2026, a colaboração junta a carteira da ID.me às ferramentas de verificação de contas financeiras da Plaid, de modo que agências públicas confirmem que a conta destinada a receber um repasse pertence ao beneficiário já verificado, antes de o valor sair.
O alvo da dupla é uma lacuna específica dos programas de benefícios. Saber quem pede o pagamento não é o mesmo que saber para onde o dinheiro segue, e é nesse vão que os recursos se desviam. Uma pessoa pode passar por uma checagem de identidade e, mesmo assim, apontar uma conta que não é sua para o depósito.
Pagamentos indevidos de seguro-desemprego nos EUA
| Indicador (ano fiscal de 2025) |
Dado |
| Total de pagamentos indevidos |
US$ 5,6 bilhões |
| Taxa sobre o total pago |
14,9% |
| Anos seguidos acima do padrão federal |
4 |
Dados do Government Accountability Office citados no comunicado da parceria. Fonte: PYMNTS
O que o número do GAO mostra
O tamanho do buraco aparece nos dados do Government Accountability Office (GAO), o órgão de controle do governo americano, citados no comunicado da parceria. Os pagamentos indevidos de seguro-desemprego somaram US$ 5,6 bilhões no ano fiscal de 2025, uma taxa de 14,9% e o quarto ano seguido acima do padrão federal. É o volume que a checagem de conta pretende reduzir antes que o dinheiro deixe os cofres.
A leitura da ID.me
Para o fundador e CEO da ID.me, Blake Hall, a verificação de identidade resolve só metade do problema. “A verificação de identidade diz a uma agência quem está pedindo para ser pago, mas não diz para onde o dinheiro está indo. Essa lacuna é onde os benefícios se perdem, e está custando ao nosso governo e aos americanos comuns bilhões de dólares”, afirmou, em tradução livre, no comunicado.
A proposta desloca o foco do controle da porta de entrada da identidade para o destino do repasse. Em vez de parar na pergunta sobre quem é o requerente, o fluxo passa a validar também se a conta indicada é mesmo dele. É um movimento parecido com o que a verificação de conta vem tomando em outros mercados, como quando o Google trocou a análise manual por open banking na Europa para conferir dados bancários.
O que observar
A parceria interessa a gestores de programas públicos, times de prevenção a fraude e reguladores que acompanham a entrada de dados financeiros na concessão de benefícios. Vale observar se a validação da conta de destino se firma como etapa padrão ao lado da verificação de identidade, e se a combinação reduz os pagamentos indevidos sem atrasar quem tem direito a receber. No Brasil, a mesma lógica de confirmar titularidade de conta a partir de dados bancários compartilhados encontra terreno no Open Finance, o que torna o caso americano uma referência a ser acompanhada por quem desenha esses fluxos por aqui.
Fontes: PYMNTS: Plaid and ID.me Team to Strengthen Benefit Payment ID Checks