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RegtechInternacional · compliance

Relace capta US$ 1,6 mi e testa financeiras contra as regras

Startup fundada em 2025 define que regras valem para cada instituição financeira e testa onde há lacunas; rodada pré-seed foi liderada pela Boost Capital.

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· 3 min

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A Relace, startup de Londres fundada em 2025, captou US$ 1,6 milhão em rodada pré-seed liderada pela Boost Capital. O software da empresa lê o modelo de operação, os produtos e os clientes de uma instituição financeira, define quais obrigações regulatórias valem para aquele caso e testa a empresa contra cada uma delas, apontando as lacunas.

O anúncio, publicado pela Relace em 15 de outubro de 2026, inclui Ascension, Koro Capital e investidores-anjo, entre eles um ex-chief technology officer (CTO) do JPMorgan e executivos seniores de Barclays, Morgan Stanley, OpenAI e SAP. A plataforma atende hoje Reino Unido, União Europeia, EUA e Oriente Médio.

Relace · rodada e contexto

Uma das 21 empresas do sandbox de IA da FCA capta US$ 1,6 mi

Números informados pela empresa

Números da Relace: rodada pré-seed de US$ 1,6 milhão liderada pela Boost Capital; 21 empresas selecionadas entre 199 inscrições na segunda turma do sandbox de IA da FCA, entre elas a Relace; de 3 a 6 meses é o tempo que uma instituição financeira de porte médio leva para saber o que precisa cumprir ao lançar produto numa segunda jurisdição, segundo a empresa.

Fonte: comunicado da Relace (15/10/2026). Arte: Let’s Money.

Do arquivo de PDFs ao teste por obrigação

A tese da startup começa por um diagnóstico do compliance financeiro atual: em vez de um sistema, uma coleção de PDFs, planilhas herdadas, trocas de e-mail e pareceres caros que já chegam desatualizados. Pelas contas da Relace, uma instituição de porte médio que resolve levar um produto a uma segunda jurisdição gasta de 3 a 6 meses só para descobrir o que precisa cumprir. Estimativas do setor citadas pela empresa põem os custos regulatórios diretos dos serviços financeiros acima de US$ 200 bilhões por ano.

O diferencial reivindicado está no rastro: cada conclusão da plataforma fica amarrada à regra que a sustenta. “Nós automatizamos essa tradução e depois testamos a empresa contra a resposta”, disse Lyubomira Dimitrova, cofundadora da Relace, que escalou sistemas de IA na Onfido para mais de 200 milhões de usuários anuais. Na leitura dela, as normas valem para todos, e cada instituição precisa entender sozinha o que elas exigem no seu caso.

Como a plataforma avalia uma instituição

Etapa O que acontece
Entrada Modelo de operação, produtos e serviços e perfil de clientes
Enquadramento Quais obrigações se aplicam e de que forma
Teste A instituição é confrontada com cada obrigação
Saída Postura regulatória e lacunas a fechar, cada conclusão ligada à regra de origem

Descrição da plataforma feita pela empresa. Fonte: Relace

O outro cofundador, Justin Peimani, é advogado habilitado em Nova York e passou uma década construindo ofertas corporativas usadas por 20 dos 50 maiores bancos globais, segundo o comunicado. “A regulação tem uma reputação que não merece”, disse Peimani. Entre os clientes, a startup cita a Gemcorp Capital, investidora de crédito privado com US$ 7 bilhões sob gestão. Patrick Nyamangunda, da Gemcorp, relatou no anúncio que um trabalho que costuma levar semanas “foi concluído em poucos dias, em detalhe, em duas jurisdições”.

Sandbox do regulador britânico e uso dos recursos

A Relace integra a segunda turma do Supercharged Sandbox, programa em que a FCA, autoridade que supervisiona o mercado financeiro britânico, abre espaço para empresas criarem e testarem IA avançada. Ela é uma das 21 empresas escolhidas entre 199 inscrições, e o trabalho dela no programa se concentra no Consumer Duty, o regime britânico de dever de cuidado com o consumidor.

É a mesma turma em que a Anthropic leva o Claude a 21 fintechs no sandbox da FCA.

O dinheiro vai para contratações de engenharia, para ampliar a cobertura regulatória nas quatro regiões e para montar o time comercial que atende instituições reguladas e seus assessores. Em Londres, a disputa pelo compliance automatizado tem outros nomes: a HelmGuard captou rodada seed para agentes de IA em compliance.

O que observar

A pergunta central é se a rastreabilidade convence áreas de compliance acostumadas a pareceres de escritórios externos. Ferramentas que ligam cada conclusão à norma de origem podem encurtar a fase de mapeamento de obrigações, mas a responsabilidade pela interpretação continua com a instituição regulada. Vale acompanhar como supervisores vão tratar avaliações feitas por software.

O outro teste está no sandbox: o que sair do trabalho focado no Consumer Duty pode indicar até onde o regulador aceita esse tipo de ferramenta no controle interno de bancos, fintechs e gestoras.

Fontes: Relace • FCA • Finextra • Let’s Money • Let’s Money

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