A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (23) a Operação Miragem contra o banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, sob suspeita de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Segundo a representação enviada à Justiça Federal em São Paulo, o banco teria replicado o “modus operandi” do extinto Banco Master para mascarar a “real situação de insolvência” e usar o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como “mecanismo de cobertura”. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 670 milhões.
Operação Miragem em números
| Item | Dado |
|---|---|
| Mandados de busca e apreensão | 9 |
| Agentes envolvidos | Mais de 50 |
| Bloqueio determinado | R$ 670.348.945,70 |
| Crimes apurados | Gestão fraudulenta, dados falsos em balanço, operações de crédito vedadas |
Dados da Operação Miragem, da Polícia Federal. Fonte: Brasil 247
O que a PF aponta no esquema
A apuração começou a partir de relatórios do Banco Central que, segundo a investigação, apontaram manipulação de demonstrativos contábeis e registros regulatórios para ocultar a situação financeira da instituição. “O banco Digimais, sob o controle de Edir Macedo, adotou práticas financeiras temerárias e estreitamente análogas às do extinto Banco Master”, diz trecho da representação da PF.
Para os investigadores, o Digimais “replicou a prática de superavaliar ativos mediante a emissão de títulos com rentabilidades desproporcionais aos indicadores de mercado, efetuando manipulações nos balanços com o objetivo de ocultar dos órgãos de controle a deterioração da sua carteira de crédito”. A PF sustenta que repassar prejuízos de fraude ao fundo de proteção pode configurar desvio de finalidade, ao destinar à absorção de perdas recursos criados para blindar poupanças de cidadãos. Os investigados poderão responder por gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos e operações de crédito vedadas.
Em nota, a instituição de Edir Macedo afirmou que “mantém suas operações regulares” e reiterou “compromisso inabalável com a transparência, a solidez financeira e a prestação de informações consistentes a todos os seus clientes, parceiros e públicos de interesse”. O antigo Banco Renner passou ao controle integral do bispo em 2020 e adotou a marca Digimais no mesmo ano.








