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Crime financeiroSegurança · Banco Master

Digimais repetiu tática do Master, aponta a PF

PF deflagra a Operação Miragem contra o banco Digimais, de Edir Macedo, aponta réplica do modus operandi do Master e bloqueia R$ 670 milhões em bens.

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· 3 min

Atualizado em

Reprodução/ Banco Digimais

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (23) a Operação Miragem contra o banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, sob suspeita de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Segundo a representação enviada à Justiça Federal em São Paulo, o banco teria replicado o “modus operandi” do extinto Banco Master para mascarar a “real situação de insolvência” e usar o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como “mecanismo de cobertura”. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 670 milhões.

Operação Miragem em números

Item Dado
Mandados de busca e apreensão 9
Agentes envolvidos Mais de 50
Bloqueio determinado R$ 670.348.945,70
Crimes apurados Gestão fraudulenta, dados falsos em balanço, operações de crédito vedadas

Dados da Operação Miragem, da Polícia Federal. Fonte: Brasil 247

O que a PF aponta no esquema

A apuração começou a partir de relatórios do Banco Central que, segundo a investigação, apontaram manipulação de demonstrativos contábeis e registros regulatórios para ocultar a situação financeira da instituição. “O banco Digimais, sob o controle de Edir Macedo, adotou práticas financeiras temerárias e estreitamente análogas às do extinto Banco Master”, diz trecho da representação da PF.

Para os investigadores, o Digimais “replicou a prática de superavaliar ativos mediante a emissão de títulos com rentabilidades desproporcionais aos indicadores de mercado, efetuando manipulações nos balanços com o objetivo de ocultar dos órgãos de controle a deterioração da sua carteira de crédito”. A PF sustenta que repassar prejuízos de fraude ao fundo de proteção pode configurar desvio de finalidade, ao destinar à absorção de perdas recursos criados para blindar poupanças de cidadãos. Os investigados poderão responder por gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos e operações de crédito vedadas.

Em nota, a instituição de Edir Macedo afirmou que “mantém suas operações regulares” e reiterou “compromisso inabalável com a transparência, a solidez financeira e a prestação de informações consistentes a todos os seus clientes, parceiros e públicos de interesse”. O antigo Banco Renner passou ao controle integral do bispo em 2020 e adotou a marca Digimais no mesmo ano.

A sombra do Master sobre os bancos médios

A PF descreve o modelo atribuído ao Master como “paradigma” para outras instituições de médio porte, em cenário de “contágio no mercado”, sustentado pela cobertura do FGC para captar liquidez. O caso Master já havia levado o Banco Central a reformular as regras do FGC após o rombo de R$ 50 bilhões, mudança que o presidente da autoridade monetária avalia poder distorcer o fundo. No mês passado, o BTG Pactual fechou acordo para comprar o Digimais, operação que joga luz adicional sobre a saúde financeira do banco agora sob investigação.

O que observar

A questão central é se a investigação consolida um padrão de fiscalização sobre bancos de médio porte que captam via títulos de renda alta amparados pela garantia de depósitos. Se a tese de “contágio” se confirmar, reguladores tendem a apertar a vigilância sobre a relação entre rentabilidade prometida ao investidor e a qualidade real das carteiras de crédito.

Vale acompanhar como o mecanismo de garantia de depósitos é recalibrado para não funcionar como rede de proteção a perdas originadas em prática irregular, um debate que ganhou força com a revisão recente das regras do fundo. O ponto operacional a observar é o efeito sobre o custo de captação dessas instituições, caso o mercado passe a precificar risco regulatório onde antes via apenas a cobertura do fundo.

Fontes: Valor EconômicoBrasil 247

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