O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) iniciou a segunda fase de pagamentos aos credores do Will Bank, com valores entre R$ 1 mil e R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. O fundo estima desembolsar R$ 6,06 bilhões para cerca de 312 mil credores. A fintech, que integrava o conglomerado do Banco Master, foi liquidada pelo Banco Central em 21 de janeiro.
FGC: pagamentos ao conglomerado Master
| Instituição |
Pago |
Credores |
Avanço |
| Master + Letsbank |
R$ 39,3 bi |
669 mil |
96,9% |
| Will Bank |
R$ 6,06 bi* |
312 mil |
2ª fase |
| Banco Pleno |
R$ 3,61 bi |
107 mil |
75,4% |
*Estimativa total. Fonte: Valor Econômico
Duas fases de ressarcimento para o Will Bank
A primeira etapa teve início em 13 de fevereiro, quando o FGC antecipou valores de até R$ 1 mil diretamente pelo aplicativo do Will Bank. Nessa fase, foram liberados R$ 126 milhões para 1,145 milhão de credores. Na segunda fase, os pagamentos passam a ser feitos pelo aplicativo do FGC, onde o credor deve se cadastrar, enviar documentação e formalizar a solicitação.
O FGC garante depósitos de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição ou conglomerado, com limite de R$ 1 milhão a cada quatro anos. Credores que já atingiram o teto com valores recebidos de Banco Master, Master de Investimentos ou Letsbank não têm direito a novos pagamentos pelo Will Bank, por se tratar do mesmo conglomerado. Como o Let’s Money reportou em janeiro, clientes do Will Bank ficaram sem acesso ao dinheiro imediatamente após a liquidação.
Impacto acumulado já passa de R$ 49 bilhões
Somando os desembolsos para Banco Master, Master de Investimentos, Letsbank, Will Bank e Banco Pleno, o FGC já pagou ou prevê pagar cerca de R$ 49 bilhões em garantias relacionadas ao conglomerado. A operação é a maior da história do fundo, superando com folga o caso Bamerindus de 1997, que custou R$ 3,7 bilhões na época, equivalentes a R$ 19,6 bilhões em valores atualizados.
Para Master, Master de Investimentos e Letsbank, liquidados em 18 de novembro, o FGC já desembolsou R$ 39,3 bilhões, alcançando 669 mil credores, o que equivale a 96,9% do total previsto. No caso do Banco Pleno, liquidado em 18 de fevereiro, foram pagos R$ 3,61 bilhões para 107 mil credores, ou 75,4% do estimado. O custo total do episódio pode chegar a R$ 52 bilhões, segundo estimativas que incluem provisões futuras. Em entrevista ao podcast Let’s Money durante o estouro do caso em 2025, Marília, co-fundadora da Nord Investimentos, já alertava: “O FGC cobre R$ 250 mil. Acima disso, quem cobre é o risco que você aceitou quando escolheu aquele produto”.
O que observar
O avanço de 96,9% nos pagamentos do bloco principal mostra que o mecanismo de garantia funcionou no aspecto operacional. O desafio agora é a recomposição do fundo. Com patrimônio de R$ 160 bilhões e recursos líquidos de R$ 125 bilhões, o colchão de segurança absorveu o choque, mas as instituições associadas precisarão antecipar até cinco anos de contribuições para restaurá-lo.
A discussão que se abre vai além da recomposição financeira. Reguladores e participantes do mercado debatem limites de distribuição por plataformas, regras de alavancagem mais rígidas e monitoramento da qualidade de balanço de instituições menores. Se as reformas avançarem, o episódio terá sido o evento que redefiniu os limites de risco na distribuição de renda fixa no país.
Fontes: Valor Econômico • Agência Brasil • IstoÉ Dinheiro • Let’s Money Podcast • Let’s Money