Open Finance brasileiro ultrapassou 160 milhões de consentimentos ativos no primeiro trimestre de 2026, segundo dados do dashboard oficial, consolidando o país entre os mercados mais avançados do mundo em compartilhamento de dados financeiros.
Em 12 meses, o número de empresas conectadas ao ecossistema cresceu 146%, passando de 239 mil para 589 mil, de acordo com levantamento da EY. Apesar do avanço, a adesão ainda está aquém do potencial do segmento.
A adoção do Open Finance entre consumidores ainda tem espaço para avançar. Embora 76,8% dos brasileiros afirmem conhecer o conceito, apenas 37,1% autorizaram o compartilhamento de dados, segundo a pesquisa “Do PIX ao planejamento financeiro: como a tecnologia está mudando nossa relação com o dinheiro”, conduzida pela Lina Open X em parceria com a MindMiners.
56% dos brasileiros se preocupam com segurança no Open Finance
A percepção de risco segue como o principal entrave para a expansão do Open Finance, tanto entre consumidores quanto entre empresas. Segundo pesquisa da Lina Open X, 56,3% dos brasileiros apontam segurança e medo de golpes como a maior preocupação em relação a meios de pagamento digitais.
Ao mesmo tempo, os dados indicam que o interesse existe: 75,2% dos entrevistados afirmam que integrariam seus meios de pagamento em um único aplicativo, desde que houvesse garantias de segurança.
“O Brasil já é altamente digital no uso de serviços financeiros, mas a integração de dados exige um nível adicional de confiança. O desafio do Open Finance é, hoje, de experiência, clareza e segurança percebida”, afirma o Diretor de Negócios da Lina Open X, Murilo Rabusky.
Publicidade
Empresas ainda enfrentam barreiras para enxergar valor no Open Finance
No caso das empresas, a adoção segue limitada por desafios específicos — principalmente a dificuldade de traduzir o sistema em benefícios concretos para o negócio. Para Murilo, isso resulta de uma combinação de fatores, que vai de entraves operacionais no dia a dia à falta de ofertas mais claras e relevantes por parte das instituições financeiras.
“O Open Finance tem potencial para atender a realidade das empresas, mas muitas organizações operam com múltiplas contas, sistemas e fluxos financeiros complexos. Jornadas mais simples e benefícios mais tangíveis são o caminho para ampliar a adesão”, explica Rabusky.
A própria indústria aponta caminhos: mais de 1/5 dos consentimentos do Open Finance vão para empresas não reguladas que atuam como intermediárias de pagamento, ou seja, não guardam o dinheiro do usuário, mas conectam o cliente ao seu banco para facilitar transações via Pix ou transferências, como é o caso de apps de gestão financeira, marketplaces e programas de fidelidade, entre outros.
Os dados também mostram que 52% das reclamações nessas organizações estão ligadas a problemas de usabilidade, sendo 32% sobre dados desatualizados e 20% sobre dificuldades na jornada de consentimento.
Na prática, o principal gargalo do Open Finance entre empresas está na experiência do usuário — o que ajuda a explicar por que a adesão ainda não acompanha o ritmo de avanço do sistema.
PMEs concentram maior potencial de expansão no Open Finance
Apesar dos desafios, o potencial de expansão é significativo, especialmente entre pequenas e médias empresas. Dados apontam que 82% dos empresários PMEs estariam dispostos a compartilhar dados financeiros em troca de produtos mais personalizados.
A fragmentação bancária ajuda a explicar esse interesse. De acordo com a EY, 86% das PMEs possuem relacionamento com mais de uma instituição financeira, e 25% operam com seis a dez bancos simultaneamente. A proposta do Open Finance, que é a de centralizar dados e simplificar a gestão, dialoga diretamente com essa realidade.
“Existe um gap evidente entre intenção e prática para empresas. Embora enxerguem valor no compartilhamento de dados, barreiras na experiência de uso e na integração com os bancos ainda limitam. À medida que a jornada de acesso aos dados for otimizada, a aderência do setor será impulsionada”, diz Rabusky.
O Banco Central já reconhece esse desafio e incluiu a melhoria da jornada para pessoas jurídicas na agenda regulatória para o biênio 2025–2026.
No plano regulatório, a Resolução BCB nº 295/2023 ainda isenta determinados bancos corporativos da participação obrigatória no ecossistema. Desde 2025, porém, instituições com mais de cinco milhões de clientes passaram a ser obrigadas a integrar o sistema, mudança que deve ampliar a base de participantes e estimular a competitividade no setor.
Segundo a Febraban, os bancos já investiram mais de R$ 2 bilhões na implementação do Open Finance no Brasil, um indicativo de que a infraestrutura está consolidada. O desafio agora é transformar essa base em soluções que façam sentido para as empresas.
“O Open Finance já provou que funciona. O próximo passo é provar que ele é indispensável para as empresas. Isso passa por produtos mais simples, experiências mais fluidas e uma comunicação muito mais clara sobre os benefícios”, conclui Rabusky.