A TAP Air Portugal passou a aceitar Pix nos guichês de aeroportos brasileiros, começando por Guarulhos, em uma modernização feita com a Adyen. Os balcões físicos ganham também carteiras digitais, como Google Pay e Apple Pay, e pagamento por aproximação, recursos que antes só existiam no online. O Pix já operava no e-commerce da companhia há cerca de dois anos.
A TAP no Brasil e o peso do Pix
| Métrica |
Dado |
| Passageiros no Brasil (2025) |
2,17 milhões |
| Voos semanais Brasil–Portugal |
mais de 100 |
| Cidades atendidas |
14 (15 com São Luís) |
| Pix nas vendas do site |
cerca de 10% |
Operação da TAP no Brasil e uso do Pix. Fonte: Valor Econômico
Como fica o pagamento nos guichês da TAP
A novidade já está no Aeroporto Internacional de Guarulhos e deve chegar nos próximos dias ao Galeão, no Rio, e ao aeroporto do Recife. Numa primeira fase, a companhia estende a solução aos 22 pontos de venda que mantém no país e, até o fim do ano, aos demais aeroportos onde opera. Além do Pix, os balcões passam a aceitar carteiras digitais como Apple Pay e Google Pay e pagamento por aproximação.
Do lado da tecnologia, a Adyen consolida todos os meios em uma única plataforma, numa relação com a TAP iniciada em 2013. “O Pix é a grande inovação nos aeroportos”, disse João Frias, líder de Estratégia de Pagamentos e Prevenção a Fraudes da TAP Air Portugal. Segundo ele, o recurso atende a um pedido recorrente do passageiro brasileiro: “Havia aqui uma grande demanda dos nossos clientes quando iam às nossas lojas: ‘Ai, eu não posso pagar com Pix?’. Infelizmente, ainda não, mas agora já temos.”
Liquidação instantânea e a disputa pelo balcão
Um atrativo do Pix para a companhia é a liquidação imediata. “A liquidação do Pix é praticamente imediata […], enquanto a liquidação do cartão, se for à vista, o que não é muito comum, é de 30 dias e, naturalmente, com o parcelamento, ocorre mês após mês”, afirmou Frias. A TAP ainda não tem métricas do impacto, mas espera que o Pix presencial supere sua fatia atual de cerca de 10% nas vendas online, já que os tíquetes no aeroporto tendem a ser menores.
A aposta tenta resolver um gargalo do setor. Segundo estudo da própria Adyen citado pela companhia, 53% das empresas de hospitalidade e viagens apontam sistemas de pagamento fragmentados como ineficientes, e 66% dizem que a falta de dados centralizados dificulta a prevenção a fraudes e a inovação. Além da TAP, a Gol também já implementou Pix e pagamento por aproximação nos guichês de aeroportos brasileiros pela Adyen.
O que observar
O movimento leva o Pix do e-commerce para o atendimento presencial de alto fluxo, onde o cartão e o dinheiro ainda dominam. Vale acompanhar se a liquidação instantânea, que chega em segundos contra o ciclo de 30 dias do cartão à vista, muda o cálculo de capital de giro para empresas com muitas transações de balcão. Para o passageiro, o teste é se o tempo de atendimento cai de fato.
A pergunta de fundo é sobre o mix de pagamentos. Se a fatia do Pix no presencial superar a do online, companhias aéreas e varejistas de alto tráfego passam a ter incentivo maior para empurrar o meio instantâneo, o que reabre a discussão sobre a receita de intercâmbio que sustenta o modelo de cartões. O ponto a observar é quanto dessa migração é escolha do consumidor e quanto é estímulo do lojista.
Fontes: Valor Econômico • Aeroin