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Zetta aponta engenharia social como frente crítica no Pix

Zetta aponta engenharia social como frente crítica dos golpes no Pix. MED 2.0 mira 80% de recuperação; apenas 5% das vítimas sabem acionar o mecanismo.

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· 3 min

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Shutterstock

A Zetta, associação que reúne Nubank, PicPay, Mercado Pago e Neon, colocou a engenharia social como a frente central dos golpes no Pix. Em entrevista ao Valor, a diretora-executiva Fernanda Garibaldi apontou o comportamento do usuário como origem da fragilidade, com o setor investindo em inteligência artificial e biometria comportamental.

Engenharia social vira frente central do Pix

“As fragilidades não estão no sistema das empresas financeiras, mas na engenharia social dos golpistas”, afirmou Garibaldi ao Valor. Para ela, o combate exige IA, biometria comportamental e educação do usuário. A Zetta reúne fintechs que operam volume alto no Pix, com média de 218 milhões de operações diárias e taxa de 7 golpes registrados para cada 100 mil transações.

Desde 2 de fevereiro de 2026, toda instituição que opera Pix é obrigada a adotar o MED 2.0, versão do Mecanismo Especial de Devolução prevista na Resolução BCB nº 493. A atualização segue o dinheiro por várias contas em cadeia e padroniza a comunicação entre bancos, com meta de elevar a recuperação dos atuais menos de 7% para até 80%.

Camadas de defesa do Pix contra golpes

Camada Como opera Quando atua
Bloqueio cautelar Até 72h por suspeita fundamentada Após transferência
MED 2.0 Rastreamento em cadeia entre contas Após reclamação
Biometria comportamental Padrões de digitação, dispositivo, localização Antes da transferência
IA transacional Análise de risco em tempo real Antes da transferência

Mecanismos citados pelas fontes ouvidas pela reportagem. Fonte: Valor Econômico

Por que o eixo passou a ser o usuário

O deslocamento acompanha o modo de agir dos criminosos. A vítima aprova a transferência com senha e biometria válidas, empurrando as instituições a olhar para o comportamento em vez do credencial. Modelos de machine learning e biometria comportamental avaliam variáveis como aparelho, geolocalização, horário, cadência e vínculo entre carteiras antes de liberar cada operação.

No podcast Let’s Money de julho de 2025, o especialista em antifraude da BMP entrevistado por Gabriel Pereira já colocava a velocidade no centro do problema.

“A gente tem situações incríveis onde uma conta é aberta, recém aberta, em menos de dois minutos ela consegue trafegar fraudes”, disse o executivo. Na época, o MED 2.0 estava em desenvolvimento no Fórum GSEG. A Resolução 493 é a primeira resposta a essa lacuna.

O que ainda depende do humano

Três variáveis definem se a vítima recupera o dinheiro: rapidez para reportar o golpe, tecnologia da instituição envolvida e saldo remanescente na conta usada pela quadrilha. “Eles criaram uma camada institucional de reação rápida”, afirmou Danilo Roque, do FAS Advogados, ao Valor. Quadrilhas já incorporam IA generativa e deepfakes para adaptar o discurso ao vivo, empurrando bancos a repensar o desenho do próprio meio de pagamento.

É o argumento de Daniel Pisano, cofundador e Chief Growth Officer da Payloop. Para ele, meios como o Pix Automático, desenhados para operar com contraparte previamente autorizada, valor conhecido e cadência de cobrança regular, sinalizam a próxima fronteira.

“A segurança deixa de ser apenas reação ao golpe e passa a fazer parte da própria arquitetura dos meios de pagamento”, disse Pisano ao Valor.

O que observar

O ponto mais sensível está fora da tecnologia. Levantamento da Silverguard aponta que 68% dos entrevistados vítimas de golpes ignoram o mecanismo e só 5% saberiam como usá-lo, o que reduz a chance de recuperação mesmo com o rastreamento em cadeia agora disponível. Vale acompanhar como grandes fintechs de conta digital, adquirentes e instituições que processam volume alto vão calibrar camadas adicionais de autenticação sem elevar falsos positivos em pagamentos legítimos.

Fontes: Valor EconômicoLet’s MoneyLet’s Money Podcast: Fraude no PIX, o que é MEDInfoMoneySilverguard / SOS Golpe

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