Mark Zuckerberg quer que a Meta tenha o próprio app de mercado de previsão. Segundo o New York Times, ele deu sinal verde para desenvolver um aplicativo parecido com a Polymarket, batizado internamente de Arena. O projeto ainda está em desenvolvimento e, no conceito atual, funcionaria sem dinheiro: os usuários ganhariam pontos por acertar previsões sobre determinados temas, com a possibilidade de dinheiro real entrar depois.
O que se sabe sobre o app Arena
| Aspecto |
Detalhe |
| Codinome interno |
Arena |
| Relação com a Meta |
App independente das redes sociais |
| Modelo inicial |
Sem dinheiro: pontos por acertar previsões |
| Monetização |
Dinheiro poderia ser adicionado depois |
| Status |
“Experimental, mas prioridade máxima” |
O que se sabe sobre o app Arena. Fonte: TechCrunch
Como o Arena deve funcionar
O aplicativo seria independente das outras plataformas da Meta, embora fontes tenham dito ao jornal que as redes sociais poderiam direcionar usuários para ele. No conceito atual, descrito como “experimental, mas prioridade máxima”, o Arena se pareceria com um video game: em vez de apostar dinheiro, o usuário acumularia pontos por previsões certeiras, e a entrada de dinheiro real ficaria para uma etapa posterior. A aposta de Zuckerberg mira uma categoria em alta: o volume negociado em plataformas como Polymarket e Kalshi chegou à casa das dezenas de bilhões de dólares até abril de 2026, e outras redes correram para se aproximar do setor, como o X, que firmou parceria com a Polymarket em meados de 2025. A própria Kalshi dobrou seu valuation para US$ 22 bilhões em rodada recente.
A categoria que o Brasil acabou de barrar
O movimento da Meta acontece logo depois de o Brasil fechar a porta para o modelo. Em 24 de abril de 2026, o Conselho Monetário Nacional (CMN) proibiu mercados de previsão e o governo bloqueou Polymarket, Kalshi e outros 25 sites, classificados como “apostas ilegais” pelo ministro Dario Durigan, com a CVM responsável pela supervisão do novo arcabouço. A Kalshi, cofundada pela brasileira Luana Lopes Lara, rebateu a comparação com cassino e segue mirando uma volta ao país, num setor que já reúne alguns dos nomes mais influentes das finanças.
O setor também acumula disputas judiciais nos Estados Unidos. Um ex-militar das forças especiais foi acusado de usar informação privilegiada para lucrar com a operação de captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, e o ex-congressista George Santos está sob investigação por supostos trades na Kalshi. No campo regulatório, estados americanos passaram a processar plataformas de previsão por supostas violações de leis de jogo, enquanto a atual administração, favorável ao setor, processou os estados que moveram essas ações.
O que observar
A entrada de uma big tech na previsão de eventos tensiona a linha entre entretenimento, aposta e especulação financeira. Vale acompanhar se o desenho inicial sem dinheiro, baseado em pontos, funciona como forma de contornar as regras de jogo enquanto a base de usuários cresce, para só depois introduzir valor real. Plataformas que partem de um público massivo já engajado têm vantagem de distribuição que operadores nativos não têm, e isso pode redesenhar quem controla a categoria.
Para o leitor brasileiro, a pergunta é regulatória. Com o mercado de previsão enquadrado como aposta e sob supervisão da CVM, eventuais produtos de grandes plataformas globais teriam de se encaixar nesse arcabouço para operar no país. O teste será se a régua aplicada às plataformas estrangeiras se sustenta quando o próximo entrante for um app embutido em rede social com dezenas de milhões de usuários locais.
Fontes: TechCrunch • Bloomberg Línea • Let’s Money • Let’s Money • Let’s Money