A conversa sobre Open Finance se transformou, e o foco já não está apenas na infraestrutura ou na regulação, mas em quem consegue oferecer experiências mais simples, transparentes e úteis para o consumidor.
É o que mostra o relatório The State of Open Finance 2026, produzido pela Mastercard em parceria com o Financial Times. O estudo revela que os consumidores estão cada vez mais dispostos a trocar de instituição financeira em busca de experiências mais simples, transparentes e personalizadas. Globalmente, 77% afirmam que mudariam de provedor para ter maior clareza sobre como seus dados são utilizados, enquanto 76% trocariam para acessar funcionalidades digitais mais convenientes.
No Brasil, o cenário chama ainda mais atenção. O país aparece entre os mercados com maior disposição para mudança: 77% dos consumidores brasileiros afirmam que trocariam de provedor financeiro. Ao mesmo tempo, somente pouco mais da metade, 56%, se dizem confortáveis em compartilhar dados financeiros, percentual abaixo da média global.
Essa contradição ajuda a explicar outro dado relevante do estudo: empresas brasileiras lideram o ranking global de receita perdida por falta de dados financeiros consentidos, deixando 6,13% de receita anual na mesa. Em outras palavras, existe demanda por experiências mais inteligentes e integradas, mas ainda há uma lacuna importante de confiança.
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Ou seja: o Open Finance já tem base regulatória, infraestrutura e adesão do mercado. O que ainda está em disputa é a confiança do consumidor.
Durante muito tempo, instituições financeiras trataram o compartilhamento de dados como uma etapa operacional. Mas os consumidores passaram a enxergar esse consentimento como uma troca de valor. Eles querem entender por que seus dados serão utilizados, quais benefícios receberão em troca e quanto controle terão sobre esse processo.
O próprio relatório mostra que os consumidores estão mais dispostos a compartilhar informações quando percebem ganhos concretos, como economia de tempo, onboarding simplificado, pagamentos mais rápidos, acesso facilitado a crédito e experiências financeiras mais personalizadas, e isso muda completamente a lógica de como produtos financeiros digitais precisam ser desenhados.
Como o Open Finance começa a impactar crescimento e retenção Mais do que uma pauta regulatória, o Open Finance começa a afetar a forma como as empresas atraem, retêm e se relacionam com clientes. Os dados do estudo mostram que três em cada quatro executivos já associam iniciativas de Open Finance a crescimento direto de receita. Empresas mais avançadas nesse ecossistema reportam melhora em indicadores como retenção de clientes, cross-sell, conversão e expansão de crédito.
Os dados também mostram que o interesse pelo Open Finance não elimina as dúvidas do consumidor sobre compartilhamento de dados. Para as empresas, isso reforça a importância de construir relações mais transparentes e explicar com clareza o valor dessa troca.
Isso envolve criar jornadas de consentimento mais simples, reduzir fricções operacionais, comunicar melhor o valor do compartilhamento de dados e estruturar integrações capazes de funcionar em escala, independentemente da instituição financeira do usuário.
Portanto, o Open Finance não depende só de tecnologia. O que realmente faz diferença é a capacidade de transformar compartilhamento de dados em uma experiência simples, útil e confiável para o consumidor. E isso tende a separar as empresas que apenas oferecem serviços financeiros daquelas que conseguem construir relações mais duradouras com seus clientes.