O crescimento acelerado do Pix no Brasil não apenas transformou a forma como consumidores pagam, mas passou a impactar diretamente a operação financeira de empresas digitais. Em um cenário de busca por eficiência, previsibilidade e escala, o modelo de cobrança via boleto começa a perder espaço em operações que dependem de conversão e fluxo de caixa mais ágil.
Dados do Banco Central indicam que o Pix atingiu nível de adoção massivo: só no segundo semestre de 2025, foram mais de 40 bilhões de transações. Em paralelo, o estudo “Do Pix ao planejamento financeiro”, conduzido pela Lina Open X em parceria com a MindMiners, aponta que 73% da população já utiliza o recurso de forma habitual.
Além de meio de pagamento, o sistema se consolidou como uma infraestrutura capaz de sustentar novos modelos de negócio, especialmente quando combinado ao avanço do Open Finance no país. Mas essa mudança expõe um descompasso relevante nas operações de e-commerces, marketplaces e empresas de serviços digitais. Embora o boleto ainda seja amplamente utilizado, seu funcionamento, baseado em emissão, pagamento e compensação, introduz fricções que impactam diretamente a conversão de vendas e o fluxo de caixa.
“O problema do boleto não é apenas o prazo e incerteza de liquidação, mas a dependência da ação do cliente. Cada etapa adicional entre a decisão de compra e o pagamento aumenta a chance de abandono”, afirma Murilo Rabusky.
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Segundo ele, esse intervalo, muitas vezes ignorado nos indicadores, tem impacto direto na conversão. Em operações de alto volume, minutos podem representar perda de receita.
Liquidação imediata e recorrência ganham espaço
É nesse ponto que o Pix ganha relevância estratégica: ao permitir liquidação imediata e eliminar etapas intermediárias, encurta o ciclo financeiro e reduz falhas na jornada de pagamento.
“Com o avanço do chamado Pix Automático, viabilizado dentro da estrutura do próprio sistema e potencializado pelo Open Finance, empresas podem estruturar cobranças recorrentes com uma única autorização do cliente e execução automática nos ciclos seguintes”, explica Murilo.
O efeito prático é a redução de falhas de pagamento e maior previsibilidade de receita, especialmente em modelos baseados em assinaturas, mensalidades ou cobranças periódicas. “Estudos de mercado apontam que uma parcela significativa das perdas nesses formatos está associada não à decisão do cliente de cancelar, mas a falhas operacionais na cobrança”, ressalta o especialista.
Com isso, a escolha entre boleto e Pix impacta diretamente três pontos centrais da operação: conversão de vendas, previsibilidade de caixa e eficiência operacional.
No caso do boleto, o fluxo exige etapas adicionais, como emissão, envio ao cliente e compensação. Esse intervalo entre a finalização da compra e a liquidação pode levar horas ou dias e, nesse período, parte dos clientes não conclui o pagamento.
Além disso, como o pagamento requer uma ação manual a cada cobrança, o boleto tende a gerar mais falhas em modelos recorrentes, como assinaturas ou mensalidades. Isso aumenta a inadimplência e exige rotinas de reenvio, cobrança e conciliação, o que tende a elevar o custo operacional.
Já o Pix opera com outra lógica. A liquidação é imediata e acontece no momento da transação, o que reduz o tempo entre venda e entrada do dinheiro em caixa. “Na prática, isso permite melhor controle financeiro, redução da necessidade de capital de giro e maior agilidade para reinvestir na operação”, destaca Murilo Rabusky.
Quando integrado a modelos automáticos, viabilizados dentro da infraestrutura do próprio sistema e pelo Open Finance, o recurso também passa a resolver a questão da dependência de ação do cliente a cada ciclo. Com autorização única, os pagamentos seguintes são executados automaticamente, o que reduz as falhas e estabiliza o fluxo de receita.
Outra questão relevante, segundo o especialista, está na operação interna. Enquanto o boleto exige acompanhamento de vencimentos, identificação manual de pagamentos e gestão de exceções, o Pix permite maior rastreabilidade e conciliação em tempo real, o que tende a simplificar o trabalho do time financeiro e reduzir custos administrativos.
“O movimento observado no mercado é de migração gradual: o boleto segue relevante em contextos específicos (como pagamentos entre empresas), mas perde espaço em operações que exigem escala e previsibilidade. Para empresas digitais, a escolha do modelo de pagamento já não é somente operacional e passa a influenciar diretamente a capacidade de crescimento e previsibilidade”, conclui o diretor de Negócios da Lina Open X.