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BC impõe sigilo de oito anos sobre liquidação do Banco Master

Banco Central classificou como secretos os documentos da liquidação do Master até 2033. TCU questiona medida e pede especificação sobre quais peças devem permanecer sob sigilo.

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Diego Grandi / Shutterstock.com

O Banco Central classificou como secretos os documentos da liquidação extrajudicial do Banco Master, impondo sigilo de oito anos sobre os processos. A classificação, assinada pelo presidente Gabriel Galípolo em novembro de 2025, mantém os arquivos fora de acesso público até novembro de 2033. O TCU já questionou a medida.

Caso Banco Master: cronologia

Data Evento
Set/2025 BC rejeita aquisição pelo BRB por riscos excessivos
17/Nov/2025 Vorcaro preso na Operação Compliance Zero
18/Nov/2025 BC decreta liquidação extrajudicial (fraudes estimadas em R$ 12,2 bi)
Nov/2025 Galípolo assina sigilo de 8 anos sobre documentos
Jan/2026 TCU determina inspeção do BC sobre supervisão do Master
24/Mar/2026 TCU aciona BC sobre eventual retirada do sigilo

Fontes: CNN Brasil e CNN Brasil (timeline)

A justificativa do sigilo

Em resposta a pedido via Lei de Acesso à Informação, o BC afirmou que a divulgação imediata iria contra o “interesse público na preservação da estabilidade financeira, econômica e monetária do país”. A autarquia também argumentou que os documentos podem comprometer atividades de inteligência, investigação ou fiscalização em andamento, relacionadas à prevenção ou repressão de infrações. A liquidação abrangeu quatro entidades: Banco Master, Banco Master de Investimento, Banco Letsbank e Master Corretora. O conglomerado detinha 0,57% do ativo total e 0,55% das captações do Sistema Financeiro Nacional.

O caso já gerou ramificações amplas. Daniel Vorcaro e Zettel preparam delações após serem presos na Operação Compliance Zero, e o FGC ainda deve R$ 793 milhões a clientes do Master. Em episódio gravado no dia da ação da Polícia Federal, o podcast Let’s Money analisou o risco sistêmico: o Master tinha cerca de R$ 60 bilhões em CDBs emitidos, contra R$ 120 bilhões de liquidez do FGC na época. “O FGC não é instituição pública. É uma seguradora. Tem taxa de sinistralidade que aguenta; se dobrar, quebra”, alertou uma analista no programa.

TCU pressiona por transparência

O ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso Master no TCU, determinou inspeção do BC em janeiro após considerar insuficiente uma nota técnica enviada pela autarquia. Em despacho de 24 de março, o ministro solicitou que o BC indique especificamente quais peças ou trechos precisam permanecer sob restrição, ou se todos os documentos podem ser liberados publicamente. A investigação do TCU alcança a gestão de Roberto Campos Neto, predecessor de Galípolo, para avaliar a supervisão exercida sobre o Master antes de 2024.

O que observar

O sigilo de oito anos impõe uma barreira significativa à prestação de contas sobre a maior liquidação bancária recente do país. De um lado, a justificativa de preservação da estabilidade e proteção de investigações em andamento tem respaldo legal. De outro, a escala das fraudes estimadas e o impacto sobre o fundo garantidor pressionam por transparência. A resposta do BC ao despacho do TCU, que pode resultar em liberação parcial ou total dos documentos, será um teste de como a autoridade monetária equilibra sigilo bancário com accountability institucional.

Vale acompanhar se as delações em andamento revelarão informações que forcem a reclassificação dos documentos antes de 2033, e se o Congresso, via CPMI do INSS que também investiga o setor, pressionará por acesso legislativo ao material. A decisão cria precedente para futuras liquidações no sistema financeiro.

Fontes: CNN BrasilCNN Brasil (timeline)Agência BrasilLet’s Money PodcastLet’s Money

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