O Banco Central classificou como secretos os documentos da liquidação extrajudicial do Banco Master, impondo sigilo de oito anos sobre os processos. A classificação, assinada pelo presidente Gabriel Galípolo em novembro de 2025, mantém os arquivos fora de acesso público até novembro de 2033. O TCU já questionou a medida.
Caso Banco Master: cronologia
| Data | Evento |
|---|---|
| Set/2025 | BC rejeita aquisição pelo BRB por riscos excessivos |
| 17/Nov/2025 | Vorcaro preso na Operação Compliance Zero |
| 18/Nov/2025 | BC decreta liquidação extrajudicial (fraudes estimadas em R$ 12,2 bi) |
| Nov/2025 | Galípolo assina sigilo de 8 anos sobre documentos |
| Jan/2026 | TCU determina inspeção do BC sobre supervisão do Master |
| 24/Mar/2026 | TCU aciona BC sobre eventual retirada do sigilo |
Fontes: CNN Brasil e CNN Brasil (timeline)
A justificativa do sigilo
Em resposta a pedido via Lei de Acesso à Informação, o BC afirmou que a divulgação imediata iria contra o “interesse público na preservação da estabilidade financeira, econômica e monetária do país”. A autarquia também argumentou que os documentos podem comprometer atividades de inteligência, investigação ou fiscalização em andamento, relacionadas à prevenção ou repressão de infrações. A liquidação abrangeu quatro entidades: Banco Master, Banco Master de Investimento, Banco Letsbank e Master Corretora. O conglomerado detinha 0,57% do ativo total e 0,55% das captações do Sistema Financeiro Nacional.
O caso já gerou ramificações amplas. Daniel Vorcaro e Zettel preparam delações após serem presos na Operação Compliance Zero, e o FGC ainda deve R$ 793 milhões a clientes do Master. Em episódio gravado no dia da ação da Polícia Federal, o podcast Let’s Money analisou o risco sistêmico: o Master tinha cerca de R$ 60 bilhões em CDBs emitidos, contra R$ 120 bilhões de liquidez do FGC na época. “O FGC não é instituição pública. É uma seguradora. Tem taxa de sinistralidade que aguenta; se dobrar, quebra”, alertou uma analista no programa.








