São Paulo, março de 2026 — O número de instituições que participam do Pix começou a recuar após mais de cinco anos de crescimento praticamente contínuo, em um movimento que indica o inícui de um período de maior consolidação da indústria financeira, avalia Doug Storf, CEO da Swap, empresa que atua como provedora de Banking as a Service (BaaS).
Dados do Banco Central mostram que o total de participantes do SPI (Sistema de Pagamentos Instantâneos) chegou a 934 instituições — com acesso direto ou indireto — em junho de 2025, quando o sistema atingiu o maior nível desde sua criação. Nos oito meses seguintes, porém, o número passou a recuar e fechou fevereiro deste ano com 916 instituições credenciadas.
Embora a redução seja de 2%, o movimento rompe uma trajetória de expansão praticamente contínua a partir de novembro de 2020, quando o Pix estreou com 733 instituições licenciadas pelo Banco Central. A última retração observada havia ocorrido entre junho e dezembro de 2023, quando o número total encolheu de 800 para 795 participantes. No movimento atual, a queda acumulada foi de 18 instituições em oito meses.
Fonte: Banco Central
Publicidade
Para Doug Storf, a inflexão é um reflexo da mudança de fase na agenda regulatória do Banco Central, após anos de abertura e estímulo à entrada de novas instituições no sistema financeiro.
“Esse tipo de evolução é comum em mercados que amadurecem: primeiro vem uma fase de expansão e entrada de novos participantes; depois, uma fase de consolidação, em que a infraestrutura precisa acompanhar o tamanho e a complexidade que o sistema atingiu”, avalia Storf.
Em 2025, o Banco Central publicou uma série de normas e novas regras, como limite de R$ 15 mil para transações via TED e Pix em instituições que se conectam por meio de PSTIs; obrigatoriedade de encerramento das chamadas “contas-bolsão“; nova regulamentação de capital mínimo, regulação de Banking as a Service (BaaS) e regras de cibersegurança mais duras para as instituições autorizadas a funcionar pelo BC.
De acordo com o CEO da Swap, esse endurecimento traduz a intenção do regulador de promover inovação e supervisão do setor em paralelo — algo que o Banco Central deixou claro desde a criação do Pix.
“Como o Pix se tornou uma infraestrutura crítica para o país, a barra regulatória subiu. Hoje, o nível de exigência sobre capital, governança, segurança cibernética e controles de prevenção à lavagem de dinheiro (PLD) é altíssimo. O cerco apertou tanto para quem quer entrar quanto para quem já está operando. O que os dados do Banco Central refletem não é um recuo do mercado, mas o fim da era da “expansão a qualquer custo”, afirma.
As medidas também buscam reforçar o combate às fraudes contra instituições financeiras, que quadruplicaram no ano passado, de acordo com o Banco Central. Para Storf, o avanço da hiperdigitalização amplia naturalmente a superfície de exposição do sistema financeiro. No entanto, a especialização da infraestrutura, ele explica, também pode fortalecer os mecanismos de proteção.
“A segurança sempre foi a espinha dorsal da indústria financeira. Quando a infraestrutura é operada por provedores especializados e regulados, os investimentos em tecnologia, governança e prevenção a fraudes tendem a ser mais robustos do que em estruturas construídas de forma isolada”, afirma o CEO da Swap.