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Swap mira R$ 3,6 bi com cartão PJ lastreado em recebíveis

Cartão de Recebíveis usa as URs da maquininha como garantia e funding: o limite sobe com as vendas e os recebíveis pagam a fatura automaticamente.

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· 3 min

Atualizado em

Doug Storf, Swap

A Swap apresentou na Febraban Tech o Cartão de Recebíveis: um cartão de crédito PJ em que a garantia e o funding já vêm embutidos. O limite é lastreado nas Unidades de Recebível (URs) que o estabelecimento gera nas maquininhas, o que dispensa a imobilização de recursos em caixa ou a contratação de garantias caras que uma operação de cartão pós-pago costuma exigir.

A mecânica fecha o ciclo sozinha. Conforme a empresa vende mais, o limite cresce. Conforme usa o cartão, os próprios recebíveis pagam a fatura, sem ação manual. A plataforma da fintech de BaaS faz a gestão da trava dos recebíveis e libera o limite disponível. A distribuição é indireta, por subadquirentes, softwares de gestão e outros participantes da cadeia de pagamentos. Dentro do recorte endereçável pelo modelo de BaaS, a companhia estima um mercado de R$ 3,6 bilhões.

O tamanho da aposta

Indicador Valor
Mercado endereçável estimado pela Swap R$ 3,6 bilhões
Estoque de recebíveis de cartão registrados (Núclea) Mais de R$ 700 bilhões
Volume transacionado por adquirentes ao ano (Núclea) R$ 3,1 trilhões
Crescimento da Swap em 2025 70%
Projeção de crescimento em 2026 50%
Parceiros atendidos Mais de 150

Dados informados pela Swap em agosto de 2026, com estoque de recebíveis atribuído à Núclea. Site: Swap

Duas frentes de crédito em duas semanas

O cartão é a segunda peça de uma vertical de crédito que a companhia abriu neste mês. A primeira veio no Conarh, entre 18 e 20 de agosto, quando a Swap lançou o consignado privado dentro do app de benefícios, ao lado da Plataforma de Benefícios 2.0, de um marketplace de benefícios digitais e de um portal white label de gestão de despesas corporativas.

“Este lançamento reflete a consolidação do nosso compromisso com a evolução contínua do nosso portfólio. Aceleramos o ritmo desde o ano passado, impulsionados pelas atualizações regulatórias e pelas novas diretrizes do PAT, que vêm redesenhando todo o setor de benefícios”, afirma Doug Storf, CEO da Swap.

O que empurrou a fintech para o crédito

São duas mudanças de regra. A primeira é o Crédito do Trabalhador, programa lançado pelo governo em março de 2025, que tirou o consignado privado da dependência de convênios bilaterais entre bancos e RHs e abriu a linha para trabalhadores com contrato CLT. O mercado, no entanto, já mostrou que a régua importa: o volume do consignado privado recuou depois do novo teto de juros.

A segunda é o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), cujas novas regras fixaram teto de 3,6% para a taxa cobrada dos estabelecimentos e cortaram o prazo de repasse para 15 dias, comprimindo a rentabilidade que sustentava boa parte da receita das operadoras de benefícios. Com o portfólio agora reunindo emissão e processamento de cartões, banking, riscos e compliance, interfaces de integração e crédito, os módulos novos funcionam como frentes de monetização sobre a base de usuários que os clientes já têm. Na esteira dos recebíveis, o mesmo trilho vem sendo usado por outros arranjos: Serasa e CERC se uniram para adiantar recebível de pequenas empresas.

O que observar

Crédito lastreado em recebível de maquininha transfere o risco da análise cadastral para a previsibilidade do fluxo de vendas. Isso funciona bem enquanto o faturamento do estabelecimento é estável e a trava é respeitada por todos os credores da cadeia. Vale acompanhar dois pontos: como o registro de recebíveis se comporta quando o mesmo fluxo é dado em garantia mais de uma vez, e se a régua de juros que já apertou o consignado chega também a produtos com garantia embutida.

Fontes: SwapLet’s MoneyLet’s Money

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