A Frete.com deu um passo decisivo para deixar de ser apenas uma plataforma de logística e se posicionar como fintech de crédito embarcado. O unicórnio, dono das marcas CargoX e Fretebras, passou a estruturar uma operação financeira própria voltada a transportadoras e caminhoneiros, usando Banking as a Service (BaaS) e funding via FIDC como base da estratégia.
A nova frente financeira ganhou tração após a XP aportar R$ 150 milhões em um fundo de investimento em direitos creditórios que vai financiar a antecipação de capital de giro para transportadoras. O veículo foi estruturado pelo BTG Pactual em parceria com a gestora Polígono Capital, reforçando o caráter institucional da operação.
Na prática, a Frete.com passa a operar crédito integrado ao fluxo operacional da logística, antecipando recebíveis de transportadoras que tradicionalmente só recebem após a entrega da carga. O modelo segue a lógica do embedded finance, em que o produto financeiro nasce acoplado à atividade principal do cliente, neste caso, o transporte rodoviário.
BaaS como infraestrutura do crédito
A infraestrutura bancária da operação é fornecida pela Dock, que atua como provedor de BaaS, permitindo à Frete.com ofertar crédito sem se tornar um banco. Com isso, a empresa mantém foco em originação, dados e relacionamento com o cliente, enquanto terceiriza a camada regulatória e operacional.
Segundo Federico Vega, fundador e CEO da companhia, o objetivo é claro: transformar a Frete.com no principal parceiro financeiro do setor de transportes. “Queremos ser o maior sócio financeiro do mundo dos transportes no Brasil”, afirmou o executivo, de acordo com o “Pipeline“.
A estratégia financeira começou de forma mais discreta em 2025, mas rapidamente ganhou escala. No primeiro ano de operação do produto de crédito, a Frete.com movimentou cerca de R$ 600 milhões. Para 2026, a meta é R$ 1,5 bilhão, atendendo mais de mil transportadoras ao longo do ano.







