A Samsung cruzou US$ 1 trilhão em valor de mercado em 6 de maio, tornando-se a segunda empresa asiática a atingir o patamar, depois de um rali de 14% impulsionado pela demanda por chips de memória para inteligência artificial.
Clube do trilhão: 15 empresas, um padrão em comum
| Empresa |
Camada controlada |
| Samsung (mai/2026) |
Chips de memória e displays |
| Nvidia |
GPUs para treinamento de modelos de IA |
| Walmart |
Rede de distribuição logística global |
| Berkshire Hathaway |
Seguros, ferrovias, energia e finanças |
| Eli Lilly |
Fármacos para doenças crônicas sistêmicas |
Fonte: PYMNTS
O que une empresas tão diferentes
A PYMNTS aponta que as 15 empresas do clube do trilhão não chegaram a esse patamar apenas por serem grandes ou inovadoras. Cada uma ocupa um nó crítico dentro de sistemas dos quais outros setores inteiros dependem. Os gigantes industriais do século XX venciam produzindo mais carros, petróleo ou aço do que seus concorrentes; os do século XXI vencem tornando-se intermediários indispensáveis dentro de redes de computação, logística, capital ou saúde.
O caso mais direto é o da Nvidia: suas GPUs foram desenvolvidas para jogos, mas tornaram-se a camada de hardware essencial para treinar modelos de IA generativa. Quando o boom explodiu, a empresa controlava o acesso a um recurso escasso. A corrida por agentes autônomos aprofunda essa divisão entre as grandes empresas de tecnologia, separando as que controlam infraestrutura fechada das que apostam em padrões abertos. O Walmart reproduz o padrão no varejo: sua rede de distribuição movimenta mercadorias em escala geográfica que concorrentes não conseguem replicar. Amazon e Google usam IA para converter essa vantagem logística em diferencial competitivo estrutural no varejo.
Como a IA acelera a concentração
Treinar modelos de fronteira exige infraestrutura computacional massiva, conjuntos de dados enormes e capital de longo prazo. Esses requisitos favorecem as empresas que já possuem vantagens em infraestrutura, concentrando poder entre hiperescaladores, fabricantes de semicondutores e plataformas capazes de financiar IA em escala industrial. O resultado é que as maiores avaliações de mercado migram das camadas de aplicação para as de infraestrutura: os investidores apostam menos em quem cria o próximo produto viral e mais em quem controla os sistemas que sustentam a economia conectada.
A entrada da Samsung reforça esse padrão. A valoração não vem de um produto de consumo, mas do fato de o grupo sul-coreano ser um dos poucos no mundo capaz de produzir chips de memória e telas em escala suficiente para suportar a expansão de data centers e dispositivos com IA integrada, posição que se tornou ainda mais estratégica depois das interrupções na cadeia global de semicondutores dos últimos anos.
O que observar
A concentração de infraestrutura crítica em poucos grupos amplifica a velocidade com que choques setoriais se propagam: se um desses nós for afetado por regulação antitruste, restrições tarifárias ou inversão de ciclo de demanda, os efeitos em cascata tendem a ser maiores do que em mercados mais fragmentados. Reguladores em diferentes economias já mapeiam essa dependência e avaliam se o controle sobre infraestrutura computacional, logística e semicondutores configura poder de mercado relevante.
Para o setor financeiro, a dinâmica importa diretamente: hiperescaladores e fabricantes de chips controlam parte crescente da infraestrutura que suporta pagamentos, crédito e gestão de ativos. O teste de longo prazo é se os prêmios de valoração atribuídos ao controle de infraestrutura se provam estruturais, ou se estão amplificados pelo ciclo atual de investimento em IA.
Fontes: PYMNTS • Bloomberg • Let’s Money