A B3 deve lançar nos próximos meses a B3RL, sua stablecoin lastreada em real, como base para liquidação instantânea e para a negociação de ativos tokenizados. A partir do início de 2027, a bolsa espera viabilizar a compra e venda de ativos tokenizados, como ações e títulos de renda fixa, com operações praticamente em tempo real.
O plano da B3 para tokenizar o mercado
| Etapa |
Prazo previsto |
| Lançamento da B3RL (stablecoin de real) |
próximos meses |
| Negociação de ativos tokenizados |
início de 2027 |
| Funcionamento das operações |
24 horas, 7 dias por semana |
Plano apresentado na Expert XP 2026. Fonte: Valor Econômico
O que uma moeda digital da bolsa muda
Segundo Felipe Paiva, diretor da B3, embora o Pix já permita liquidações rápidas, a diferença da stablecoin está em programar operações e integrá-las à negociação de outros ativos digitais, como ações, debêntures e títulos de renda fixa tokenizados. “Junto com a stablecoin, vem a possibilidade e oportunidade de novos desenvolvimentos de infraestrutura, para possibilitar a troca instantânea com outros ativos, e a possibilidade de programação”, afirmou o executivo em painel na Expert XP 2026. A ideia é que uma ordem e sua liquidação aconteçam no mesmo instante, sem depender de diferentes intermediários.
O movimento acompanha a aproximação da bolsa com o mundo dos ativos digitais, que recentemente levou opções de bitcoin e solana ao mercado regulado. A B3RL seria a peça que conecta esse ambiente à liquidação em real, permitindo também usar ativos tokenizados como garantia em operações financeiras.
A régua regulatória ainda está sendo escrita
A aposta depende de um ambiente regulado que ainda está em construção. A CVM criou um grupo de trabalho e prometeu uma proposta de regime para tokenização em 60 dias, sinal de que o arcabouço deve amadurecer em paralelo ao projeto da bolsa. Para Paiva, o ganho aparece quando as instituições puderem lançar produtos sobre essa base: “A tokenização de ativos abre possibilidade para que grandes bancos e corretoras consigam oferecer novos produtos na bolsa”, disse.
Na visão do executivo, a tecnologia tende a ficar invisível para o investidor. Assim como poucos hoje conhecem a infraestrutura que garante a negociação de ações, a expectativa é que, no futuro, o usuário apenas utilize os produtos sem precisar entender que são baseados em blockchain ou tokenização.
O que observar
O Brasil passa a desenhar dois caminhos para liquidar ativos tokenizados: o Drex, o real digital do banco central, ainda em testes, e stablecoins de real emitidas por infraestruturas de mercado. Quem virar o trilho padrão de liquidação vai definir onde se concentra a liquidez e quem cobra pelo serviço. O diferencial vendido em relação ao Pix é a programabilidade, liquidar um ativo e sua contrapartida no mesmo instante, de forma condicional e automática.
O ponto de atenção é a adoção real. Uma moeda digital só ganha tração se os ativos tokenizados trouxerem liquidez de verdade, em vez de formar uma trilha paralela com poucos negócios. Vale acompanhar se o arcabouço regulatório em construção dá segurança para grandes bancos e corretoras migrarem produtos para esse ambiente, e se o investidor final enxerga vantagem além da promessa de operar fora do horário de pregão.
Fontes: Valor Econômico • B3 • InfoMoney • Let’s Money • Let’s Money