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BB lança BB Ventures II com R$ 300 mi para startups

Banco do Brasil eleva aposta em CVC a R$ 500 mi com BB Ventures II. MSW Capital abre mandato para Série B; Vox ganha vertical de bioeconomia.

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· 3 min

Atualizado em

O Banco do Brasil lança o BB Ventures II com mais de R$ 300 milhões adicionais em corporate venture capital, elevando para R$ 500 milhões o capital total comprometido no programa, enquanto o mercado brasileiro de CVC registrou queda de 31% no número de rodadas com participação corporativa em 2024, segundo levantamento da EY.

BB Ventures II: estrutura dos veículos

Gestora Capital Novidade no mandato
MSW Capital R$ 115 mi Série B abertas; cheque até R$ 20 mi
Vox Capital R$ 140 mi Nova vertical: bioeconomia e biodiversidade
Co-investimentos (LP) ~R$ 30 mi Aportes como cotista em outros fundos

Estrutura do BB Ventures II. Fonte: NeoFeed

Por que o BB apostou mais agora

Três fatores motivaram a ampliação: acompanhar novas rodadas de startups já investidas (dry powder para follow-on), identificar oportunidades em estágios mais maduros e formalizar o eixo ESG como diretriz transversal da tese. “Conseguimos extrair alguns valores estratégicos e financeiros do portfólio. E há startups que vão fazer novas rodadas. Precisávamos de dry powder para acompanhar”, disse Jean Martinelli, executivo responsável pela inovação aberta do Banco do Brasil.

O resultado prático da estratégia já aparece em dois casos do Fundo I. A PayFy, startup investida via MSW Capital que desenvolve gestão de despesas corporativas, foi incorporada em white label ao cartão corporativo do BB, gerando receita adicional que não existia antes da integração. “Se fosse desenvolver internamente, o time to market seria mais longo e a disputa por recursos de TI seria maior”, afirma Martinelli. A Aprova, govtech de Cascavel que digitaliza fluxos administrativos de prefeituras, foi integrada aos convênios de arrecadação do banco e alcançou mais de 140 prefeituras em poucos meses, com cerca de 20 delas também usando produtos do BB.

O banco modernizou 93% das agências com nova infraestrutura de rede e levou o Pix para a Argentina, iniciativas que evidenciam apetite por inovação e criam ambiente interno receptivo à integração com produtos de startups.

O que cada gestora vai fazer

A MSW Capital, que no Fundo I registrou saídas como Olivia (vendida ao Nubank) e Card10 (adquirida pela WebMotors), amplia seu mandato para Série B. “Recebia oportunidades de Série B e descartava por mandato. Agora faz sentido ter uma porta aberta, desde que haja sinergia estratégica”, diz Richard Zeiger, sócio da gestora. A MSW Capital prevê de 6 a 8 investimentos com cheques entre R$ 5 milhões e R$ 15 milhões, podendo chegar a R$ 20 milhões em casos específicos. Moises Swirski, sócio da gestora, resume o momento do setor: “O hype do CVC passou. Agora as corporações tentam dar sentido ao que investiram.”

A Vox Capital passa a gerir R$ 140 milhões, ante os R$ 80 milhões do primeiro veículo, e adiciona uma quarta vertical ao escopo: bioeconomia e biodiversidade, incluindo tecnologias de monitoramento ambiental, carbono e uso do solo. “O banco amadureceu sua capacidade de integração com startups. Há um processo contínuo de validação com as áreas internas”, afirma Rafael Campos, diretor de venture capital da Vox. A gestora prevê entre 8 e 12 investimentos e já iniciou prospecção, incluindo chamada pública de startups de bioeconomia durante a COP.

O que observar

A expansão testará se a tese de CVC como canal de integração sustenta-se em estágios mais maduros. Franquear a Série B exige crivo diferente do praticado em late seed e Série A: unit economics, runway e path to profitability passam a ser centrais. Vale acompanhar se gestoras especializadas em estágios iniciais conseguem calibrar essa avaliação com a mesma eficiência em rodadas maiores, ou se a adição de Série B dilui o foco estratégico.

A nova vertical de bioeconomia é sinal de que a pauta ESG migrou de checkbox para tese de investimento. A pergunta operacional é outra: o mercado de exits para startups de monitoramento ambiental e carbono tem compradores estratégicos ativos no Brasil? Saídas como as registradas no Fundo I dependeram de grandes players de tecnologia financeira como adquirentes. Para ativos de bioeconomia, o caminho para exits similares ainda não está mapeado com clareza no ecossistema local.

Fontes: NeoFeedEY

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