O BTG Pactual afirma que a Stone pode precisar de uma alternativa estratégica ou M&A para destravar valor, mesmo com múltiplos baixos e dividendo extraordinário recém-anunciado. No relatório, os analistas mantêm recomendação de compra com preço-alvo de US$ 19; o papel negocia perto de US$ 15.
Panorama do BTG Pactual para a Stone
| Indicador |
Dado |
| Recomendação BTG |
Compra |
| Preço-alvo |
US$ 19 |
| Cotação atual |
~US$ 15 |
| Valor de mercado |
US$ 3,6 bilhões |
| P/L |
6 vezes |
| Desempenho no ano |
+1,26% |
| Custo do risco Q4/25 |
17% (pode subir) |
| Projeção de lucro líquido ajustado Q1/26 |
~R$ 540 milhões |
Panorama do BTG Pactual para a Stone. Fonte: NeoFeed
Diagnóstico: barata, mas sem catalisador à vista
O ponto central do relatório é o descolamento entre múltiplos e apetite do mercado. A Stone negocia a P/L de 6 vezes, abaixo dos 6,1 do Banco do Brasil, e tem bom fluxo de caixa e maior rentabilidade do que o banco estatal, segundo o BTG. Ainda assim, os papéis sobem apenas 1,26% no ano, e o dividendo extraordinário oriundo da venda da Linx para a Totvs não se traduziu em salto relevante na ação.
“O problema é que o ritmo operacional continua fraco, e o mercado parece cada vez mais relutante em pagar por uma recuperação que ainda não se materializou claramente”, afirmam Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale, do BTG. As sinalizações da própria companhia sobre o primeiro trimestre derrubaram a ação 19% em 3 de março, e as projeções do time do BTG para o resultado apontam TPV de micro, pequenas e médias empresas estável ante o mesmo período de 2025, receita 5% acima do ano anterior mas 5% abaixo do trimestre passado, e custo do risco que pode superar os 17% do quarto trimestre de 2025.
Como a tese da alternativa estratégica entra na conversa
A hipótese de uma saída via M&A aparece como consequência do diagnóstico difuso sobre a Stone. “Neste momento, uma das principais questões é se a Stone conseguirá sair dessa situação por conta própria, apenas com a execução, ou se a história poderá eventualmente exigir alguma forma de alternativa estratégica ou fusões e aquisições para desbloquear valor”, afirma o relatório. A Stone, vale lembrar, já cortou 370 posições em reestruturação no início de março, mexendo em custos e estrutura comercial.
O que torna o turnaround difícil, segundo o BTG, é o fato de não haver um problema único a ser resolvido. “Se os problemas estivessem claramente ligados a uma variável, como o preço, o caminho para a recuperação poderia ser mais óbvio […]. Em vez disso, o diagnóstico atual sugere a necessidade de ‘apertar muitos parafusos’ em toda a proposta de valor”, diz o relatório.
O que observar
Adquirentes de capital aberto com valuation em patamares similares passam por uma prova de paciência do mercado. Quando dividendo extraordinário e múltiplos baixos não destravam preço, o canal que sobra é a combinação de execução operacional com revisão de tese, e o tempo de execução se torna o próprio risco da ação. Para analistas e gestores que acompanham o setor, o ponto de observação é quando uma casa de research migra da hipótese de alternativa estratégica para recomendação explícita de movimento, porque é nesse momento que o preço tende a reagir.
Vale acompanhar três frentes. A primeira é a pressão de investidores institucionais que acumulam posição comprada em teses de value: se o próximo resultado trimestral confirmar custo do risco elevado e TPV em MPME parado, a tolerância deve cair. A segunda é o apetite de plataformas de tecnologia de varejo e bancos com carteira MPME por ativos cross-border, que historicamente olham para processadoras descontadas. A terceira é a janela regulatória e de governança: controladores com poder de decisão sobre fusão, spin-off ou split-off definem o prazo prático para qualquer movimento.
Fontes: NeoFeed • Let’s Money | Stone demite 370 em reestruturação • Let’s Money | Totvs leva Linx por R$ 3 bi após Cade