Ir para o conteúdo

PagamentosPagamentos · B2B

BTG lança cartão B2B de arranjo fechado para empresas

O BTG Pactual Empresas lançou o cartão BTG Pay para transações entre empresas em arranjo fechado, com prazo e limite negociáveis conforme a análise de crédito.

por

· 3 min

Atualizado em

Foto: Divulgação

O BTG Pactual Empresas colocou de pé um cartão de pagamentos voltado para negócios entre empresas (B2B) e escolheu operá-lo em arranjo fechado. Anunciado na sexta-feira (11), o cartão BTG Pay só será aceito nas “maquininhas” do próprio BTG Pay, marca que passa a nomear todo o ecossistema de pagamentos do banco, e não apenas a área de adquirência.

A opção pelo modelo fechado tem uma justificativa declarada: crédito mais maleável. Num arranjo aberto, a fatura corre em calendário rígido, com data certa para fechar e para cobrar. No cartão do BTG, quem compra e quem vende acertam entre si o momento em que o pagamento vence. Já o teto de gastos e o quanto de folga cada empresa consegue no prazo dependem da avaliação de risco que o banco faz de cada cliente.

O mercado que o BTG mira (2025)

Meio de pagamento Valor transacionado
Cartões R$ 4,5 trilhões
Boleto R$ 11 trilhões
TED (Transferência Eletrônica Disponível) R$ 35 trilhões

Cartões: Abecs. Boleto e TED: Banco Central. Valores de 2025 citados pelo BTG.

Por que o arranjo fechado

Para Gabriel Motomura, sócio e co-head do BTG Pactual Empresas, o diferencial de crédito faria o mercado endereçável do banco crescer cerca de dez vezes, na aposta de migrar para o cartão volumes que hoje correm por boleto e TED (Transferência Eletrônica Disponível). Ele próprio relativizou a projeção ao somar os três meios de pagamento de 2025, um total de R$ 50,5 trilhões: “Estou fazendo aqui uma conta utópica”, disse o executivo.

Esse desenho tem prazo de validade regulatório. A norma do Banco Central tolera o modelo fechado até certo porte: cruzada a marca de R$ 20 bilhões movimentados ou de 100 milhões de operações em um ano, o banco fica obrigado a abrir a rede e se tornaria uma bandeira, ao lado de nomes como Visa, Mastercard e Elo. Enquanto isso não acontece, a negociação de prazo só existe para quem usa o cartão do próprio BTG nas máquinas da casa.

A adquirência que virou ecossistema

O anúncio arremata um ciclo aberto meses antes. O braço de adquirência do banco veio a público em outubro de 2025, com máquinas de cobrança, links e conexão ao restante da instituição, e só entra em operação comercial agora. Na origem está a aquisição da fintech Justa, em junho de 2025. “Compramos uma fintech em junho de 2025. De lá para cá, estamos transformando essa subaquirente em uma adquirente e criando essas inovações”, contou Motomura. Segundo a instituição, a plataforma já se integra a mais de 200 sistemas de gestão usados por empresas e disponibiliza interfaces de programação (APIs) abertas, o que endereçaria um dos entraves do cartão corporativo: a conciliação.

A leitura vem também do outro co-head. “O primeiro objetivo foi completar a oferta de produto e serviço e ter um cardápio completo para qualquer tipo de companhia”, afirmou Rogério Stallone. O lançamento se soma ao esforço recente do banco de ampliar sua linha de cartões, como no cartão que reúne vale-refeição e alimentação, e mira um segmento de pessoas jurídicas ainda pouco penetrado por meios de pagamento, disputa que também atrai bancos digitais focados em cartão corporativo.

O que observar

A aposta pressupõe que empresas troquem instrumentos consolidados, como boleto e transferência, por um cartão de aceitação restrita a uma única rede. Caso a migração de volume se confirme no ritmo projetado, o teto regulatório do arranjo fechado tende a se aproximar, e a decisão de abrir a bandeira a outros emissores e adquirentes voltaria à mesa. Vale acompanhar se a flexibilidade de prazo negociado se sustenta como diferencial quando outros participantes oferecerem condições semelhantes.

Fontes: Valor EconômicoLet’s MoneyLet’s Money

Compartilhar essa notícia

Let's News

Entenda o dinheiro antes do mercado.

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.

Mais notíciasNotícias
Ver a editoria

Mais artigos de Notícias

Let's News

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.