O Banco Central do Uruguai (BCU) autorizou a compra do HSBC Uruguai pelo BTG Pactual, removendo o último obstáculo regulatório da operação de cerca de US$ 175 milhões anunciada em julho de 2025. O negócio entra agora em fase de transição e abre a entrada do banco em mais um mercado da América Latina.
O HSBC Uruguai que o BTG leva
| Indicador (fim de 2024) |
Valor |
| Capital total |
US$ 191 milhões |
| Carteira de crédito |
US$ 1,1 bilhão |
| Ativos totais |
US$ 1,8 bilhão |
| Agências |
5 |
Posição do HSBC Uruguai no fim de 2024. Fonte: Bloomberg Línea
O que a aprovação destrava
A decisão do BCU encerra a etapa de aprovações regulatórias e dá início ao período de transição que antecede o fechamento. Até a conclusão, o HSBC Uruguai segue como parte do Grupo HSBC, e as duas instituições trabalharão juntas nas etapas remanescentes. O acordo prevê a aquisição de 100% da subsidiária do grupo inglês no país, além de instrumentos adicionais de capital, com valor sujeito a ajustes para refletir os resultados entre 31 de dezembro de 2024 e a data de fechamento.
“O Uruguai é um mercado relevante na região e essa aprovação representa um passo importante na consolidação de nossa vocação para servir a comunidade de clientes latino-americanos”, afirmou Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual. Do outro lado, o comando da operação local destacou a continuidade do atendimento: “Nossa prioridade segue sendo atender nossos clientes de forma contínua e apoiar nossos colaboradores durante a transição”, disse Constantino Gotsis, CEO do HSBC Uruguai.
Mais uma peça no tabuleiro latino-americano
A chegada ao Uruguai reforça a estratégia do BTG de ampliar a presença na América Latina, onde já opera no Brasil, Chile, Colômbia, México, Peru e Argentina, além de Europa e Estados Unidos. Em janeiro de 2026, o banco concluiu a aquisição do M.Y. Safra Bank nos EUA, passando a operar com licença bancária no país.
O movimento ecoa a corrida de bancos internacionais por reposicionamento regional, como o esforço do Citi para crescer no México após separar o varejo. No caso do BTG, é a mesma lógica de conectar clientes locais a oportunidades globais que levou o banco a criar fundos para investidores brasileiros entrarem na SpaceX. A entrada do HSBC britânico no pacote dá ao banco uma base já estabelecida, com carteira de crédito de US$ 1,1 bilhão, em vez de construir a operação do zero.
O que observar
Aquisições cross-border de bancos de varejo costumam ter o valor anunciado como ponto de partida, não de chegada: o preço aqui está sujeito a ajuste conforme o desempenho da carteira até o fechamento. Vale acompanhar como a integração de uma franquia local à plataforma global de um banco de investimento preserva (ou redesenha) a base de clientes herdada, sobretudo no segmento de pessoa física, onde a cultura de atendimento difere do foco em grandes clientes.
No pano de fundo, há um padrão a observar: grandes bancos internacionais vêm reduzindo presença em mercados que consideram não estratégicos, e instituições regionais ocupam o espaço. Se esse rearranjo continuar, o teste será se os compradores conseguem rentabilizar operações que os vendedores decidiram deixar para trás, sem perder a base que justificou a compra.
Fontes: Valor Econômico • Bloomberg Línea • Money Times