O banco canadense CIBC liberou nacionalmente um copiloto de inteligência artificial que transcreve e resume reuniões com clientes e reduz em até 50% o tempo que assessores gastam em tarefas administrativas. O movimento espelha a corrida que Itaú, Banco do Brasil e Citi travam para levar IA ao cotidiano de gerentes e assessores no Brasil.
Os dois novos sistemas de IA da CIBC
| Sistema |
O que faz e escala |
| AdvisorAssist (IA generativa) |
Transcreve e resume reuniões; corta até 50% do tempo administrativo dos assessores |
| CAI 2.0 (IA agêntica) |
Em piloto; executa tarefas de vários passos (propostas, compliance, análise financeira) |
| CAI (base já em uso) |
Mais de 50 mil funcionários; 20 mil usam todo dia; centenas de casos de uso |
Os dois novos sistemas de IA da CIBC e a base CAI já em uso. Fonte: Finextra
O que o copiloto faz na mesa do assessor
Batizado de CIBC AdvisorAssist, o sistema usa IA generativa para capturar e resumir automaticamente as anotações durante reuniões com clientes e para agilizar a documentação de follow-up. A promessa é devolver ao assessor o tempo hoje consumido por registro manual e conferência. A ferramenta foi desenhada para rodar em várias linhas de negócio, do banco de varejo ao private e à gestão de patrimônio.
“Ao usar IA para automatizar tarefas rotineiras e apoiar exigências regulatórias importantes, nossos assessores conseguem dedicar mais tempo a aconselhar clientes” (em tradução livre), afirmou Ed Dodig, vice-presidente executivo de banco de varejo e Imperial Service da CIBC. No Brasil, a mesma tese sustentou o lançamento de quatro IAs do Citi para assessores e o copiloto do Bank of America que guia o atendente em segundos.
Do assistente de chat ao agente que age sozinho
Em paralelo, a CIBC começou a distribuir o CAI 2.0, um ambiente de trabalho de IA agêntica ainda em piloto que permite delegar à máquina tarefas de vários passos que o funcionário precisaria fazer manualmente. Segundo o banco, o sistema já ajuda a montar propostas e pitchbooks, centralizar prazos e documentos de compliance, sinalizar anomalias, produzir relatórios prontos para auditoria e comparar contratos complexos, como acordos de crédito, lado a lado.
A base para isso foi construída sobre o CIBC AI, o assistente que o banco levou a mais de 50 mil funcionários e que hoje é usado por cerca de 20 mil pessoas todos os dias. É o mesmo salto de assistente para agente que o Itaú perseguiu com o copiloto para gerentes de produto e que o Banco do Brasil apoiou treinando 36 mil funcionários em IA agêntica.
O que observar
O ganho anunciado, cortar até metade do trabalho administrativo, é fácil de prometer e difícil de comprovar. Vale acompanhar se bancos de varejo conseguem converter o tempo liberado em mais conversas de assessoria e receita incremental, ou se ele apenas se dilui em outras tarefas. A pergunta operacional é onde fica a responsabilidade quando um resumo automático de reunião alimenta uma decisão de investimento.
O passo da IA agêntica levanta uma camada extra em ambiente regulado: quando o agente monta relatórios de compliance e sinaliza anomalias, o teste passa a ser a rastreabilidade e a revisão humana de cada saída. Instituições financeiras que colocam agentes em fluxos de risco terão de mostrar a auditores como cada etapa foi validada, e é aí que a promessa de produtividade encontra o custo de governança.
Fontes: Finextra • CIBC • Let’s Money • Let’s Money