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Fraude com IARegulação · BC

Deepfakes desafiam biometria e podem acelerar novas regras

Especialista em mercados regulados diz que a biometria facial não basta sozinha contra deepfake e que o BC pode fixar critérios mais objetivos de identidade digital.

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Atualizado em

Shutterstock

O avanço das fraudes com deepfakes começa a colocar em xeque um dos mecanismos mais usados pelos bancos para confirmar a identidade do cliente: a biometria facial. Com imagem, vídeo e até prova de vida passíveis de manipulação por inteligência artificial, a leitura de especialistas em regulação é que a tecnologia segue relevante, mas já não basta sozinha contra fraude.

“A biometria facial continua válida como uma camada de autenticação, mas sua suficiência precisa ser permanentemente reavaliada à luz da evolução das fraudes”, afirma Carlos Akira Sato, co-founder da Syscapital e especialista em Mercados Regulados, Governança e Inovação, em análise divulgada em 28 de agosto de 2026.

Os controles que o especialista cita como complemento à face

Camada O que verifica
Provas de vida mais robustas Se há uma pessoa real diante da câmera
Análise do dispositivo De que aparelho parte a tentativa
Padrões comportamentais Como o usuário costuma se comportar no canal
Cruzamento de bases de dados Se os dados batem com outros registros
Detecção de injeção de imagens Se o vídeo entrou por câmera ou foi injetado
Autenticação multifator Se há um segundo fator além do rosto

Mecanismos citados na análise de Carlos Akira Sato, da Syscapital. Norma de referência: Resolução CMN nº 4.753/2019

O que a norma atual já exige

Na avaliação do especialista, a regulamentação em vigor já estabelece uma lógica que acompanha a evolução tecnológica. A Resolução CMN nº 4.753, de 26 de setembro de 2019, não determina o uso de uma tecnologia específica, mas exige que as instituições adotem procedimentos e controles capazes de verificar e validar a identidade e a qualificação do cliente e a autenticidade das informações fornecidas.

“Do ponto de vista regulatório, a pergunta mais importante não é ‘a instituição usa biometria facial?’, mas sim: o conjunto de controles utilizado continua efetivamente apto a verificar e validar aquela identidade?”, explica.

A base instalada dá a dimensão do que está em jogo. Em maio de 2026, levantamento da EY mostrou que o reconhecimento facial já chega a 84% dos bancos.

Por que uma camada só deixou de bastar

Com a sofisticação dos deepfakes, a tendência apontada é que os bancos precisem combinar mecanismos diferentes para reduzir o risco de falsificação, do dispositivo ao comportamento. “Quanto mais sofisticados os deepfakes, mais defensável se torna a adoção de controles complementares”, afirma Sato.

O movimento já aparece no mercado. Em julho de 2026, a Plaid passou a detectar deepfake na abertura de contas com IA, e em agosto de 2026 a Visa comprou a BioCatch por US$ 2,4 bilhões para reforçar a leitura de comportamento no combate à fraude.

Onde uma segunda camada regulatória pode entrar

O cenário também pode abrir espaço para uma evolução das normas de identificação digital, principalmente na abertura remota de conta e em operações de maior risco. Não existe anúncio oficial de regulamentação específica sobre deepfakes. Na avaliação do especialista, porém, o crescimento da fraude pode levar o Banco Central a fixar critérios mais objetivos para identidade digital, biometria e autenticação.

“O avanço dos deepfakes pode exigir uma segunda camada regulatória, com critérios mais objetivos para identidade digital, biometria e autenticação de operações”, avalia.

Para ele, as instituições não deveriam esperar mudança de norma para agir, já que a própria resolução manda que os procedimentos e tecnologias assegurem integridade e autenticidade dos documentos eletrônicos e sejam mantidos atualizados. “Considerando as medidas recentes do BC contra fraudes, é razoável esperar que esse tema ganhe espaço na agenda regulatória em um horizonte relativamente próximo. E as instituições não deveriam esperar a nova norma para começar a rever seus controles”, conclui.

O que observar

A leitura é de um especialista em mercados regulados, não de comunicado do regulador: não há norma anunciada sobre deepfakes até aqui. Para times de prevenção a fraude e de compliance, o ponto prático é acompanhar se as próximas medidas do Banco Central passam a tratar identidade digital com critérios objetivos, e quanto custa somar camadas de verificação sem travar a abertura remota de conta.

Fontes: Banco CentralLet’s MoneyLet’s MoneyLet’s Money

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