A DM, investida da Vinci Capital, é a principal emissora independente de cartões de loja no Brasil, com 17 milhões em circulação, e projeta que um terço da receita venha de produtos de crédito até 2028. Entre janeiro e maio de 2026, a operadora movimentou R$ 700 milhões em empréstimo pessoal, BNPL e consignado privado.
Margem anual por cliente, por produto
| Produto |
Margem por cliente ao ano |
| Cartão private label |
~R$ 70 |
| Cartão com bandeira |
~R$ 120 |
| Empréstimo pessoal |
~R$ 400 |
Estimativas atribuídas a Denis Correia, CEO da DM. Fonte: NeoFeed.
Quatro aquisições e R$ 700 mi fora do cartão
A virada começou há dois anos, com foco no segmento de baixa renda. A consolidação no plástico veio das compras da Credz, da FortBrasil, da Uze e da Trigg. Em paralelo, a oferta de crédito ganhou empréstimo pessoal, BNPL e o consignado privado, que estreou em setembro de 2025.
“Fizemos as quatro aquisições, só que entendemos internamente que viver apenas de cartão não garantiria a sobrevivência da empresa”, afirmou Denis Correia, CEO e fundador da operadora, em entrevista ao NeoFeed. A carteira de crédito projetada para este ano fica em R$ 4,2 bilhões, dos quais perto de R$ 1 bilhão sai das novas frentes. A receita total prevista atinge R$ 3,5 bilhões.
Margem do plástico e o pivô para o consignado
O cálculo de rentabilidade por cliente explica a pressa em diversificar. Um portador de cartão private label rende em torno de R$ 70 ao ano à DM, valor que sobe para R$ 120 no bandeirado e chega a R$ 400 em um empréstimo. A diferença reflete o duplo limite do negócio de cartões no Brasil: o parcelamento sem juros, em que o emissor não remunera o saldo parcelado, e a competição por cartão sem anuidade. “Se você não cobra anuidade no cartão de crédito, ele não dá dinheiro”, disse Correia. A operadora abandonou a meta de R$ 8 bilhões de receita até o fim de 2026 e atribuiu a revisão ao endividamento das famílias. A PDD passou para 4,2%, vinda dos 6% de 2025.
O motor da expansão em crédito é o consignado privado. Para financiar a originação, a operadora montou um veículo de R$ 300 milhões no formato FIDC, com colocação já fechada e estreia prevista no mercado em agosto de 2026. Em matéria do Let’s Money em abril, a Bull, fintech parceira da DM no consignado privado desde setembro de 2025, mira R$ 1 bilhão em originação em 2026 sobre o mesmo modelo, em que a DM contribui com base de clientes e força comercial, e a parceira responde pela plataforma e pela concessão. Pela série histórica do Let’s Money sobre consignado privado, o produto já cruzou R$ 100 bilhões em março de 2026, com Itaú liderando.
O que observar
O risco da tese de cross sell não está no cartão, mas na esteira do que vem depois. Emissoras de private label têm a base mais densa de cliente de baixa renda do país, com histórico transacional rico, mas crédito pessoal, BNPL e consignado privado têm curvas de inadimplência distintas, e em fase de endividamento alto a margem de erro é menor. Vale acompanhar como gestoras de FIDC e operadoras independentes vão calibrar a originação no consignado privado, que vive o amadurecimento regulatório do Crédito do Trabalhador, e se os números do cross sell vão sustentar a hipótese de que o plástico ainda compensa como porta de entrada para produtos de maior rentabilidade.
Fontes: NeoFeed • Let’s Money: Bull e DM no consignado • Let’s Money: consignado privado passa R$ 100 bi • Let’s Money: valor médio do Crédito do Trabalhador cai 73%