A Elo colocou em teste um Pix autenticado por biometria dentro do próprio canal do lojista, sem que o comprador precise saltar para o app do banco. O ensaio começou com dois clientes, a Mais Mobi, do setor de transporte, e a FutebolCard, que comercializa ingressos e controla a entrada em estádios, com prazo estimado em três meses.
O que está em teste na Elo
Item
Situação
Estágio
Fase piloto, com duração prevista de cerca de três meses
Parceiros
Mais Mobi (mobilidade) e FutebolCard (ingressos e acesso a estádios)
Canais
Sites e apps dos parceiros, além de WhatsApp com o agente de IA TheoPay
Base técnica
Open Finance, com tokenização e requisitos da LGPD
Licença de iniciador
Opera via parceiros; pedido próprio ainda em aprovação com acionistas
Piloto anunciado pela Elo em julho de 2026. Fonte: Valor Econômico
Como a autenticação sai do banco e vai para o lojista
O desenho segue a lógica da jornada sem redirecionamento do Open Finance, em que, nas palavras da documentação oficial do ecossistema, “o cliente inicia e conclui a solicitação de transação sem sair do ambiente da ITP”. Na estreia, o comprador conecta a conta bancária pelo Open Finance. Daí em diante, a confirmação passa a ser biométrica, no aparelho que ele já tem na mão.
“A jornada fica mais suave, mais limpa, mais fluida, porque você não precisa pular de um app para outro app”, afirmou Eduardo Merighi, diretor de tecnologia da Elo, ao Valor. Ele descreve o pacote como a costura de peças que a companhia já operava: “A gente juntou essas capacidades que a Elo já tinha relacionadas a esses canais e à inteligência artificial […] mas uma transação com menos fricção, que não demande que você tenha que abrir o seu aplicativo do banco, se autenticar e confirmar a transação Pix.”
O ângulo do celular ajuda a entender o público-alvo. Segundo o executivo, quem separa o aparelho do banco do aparelho do cotidiano por precaução ganha uma saída: “Então, ela deixa o celular do banco em casa, mas consegue, com o seu celular do dia a dia, fazer uma transação Pix.” A camada de proteção usa tokenização e obedece aos requisitos do Open Finance e da LGPD.
Publicidade
Quem já vinha puxando o Pix para fora do app bancário
A Elo hoje inicia pagamentos apoiada em parceiros e quer carteira própria. “A gente está com alguns parceiros que estão viabilizando esse caminho da infraestrutura de Open Finance […] Mas, em paralelo, a gente está percorrendo o caminho para obter a nossa própria licença”, disse Merighi. O pedido de autorização ao Banco Central ainda depende de aprovação interna junto aos acionistas. A companhia também refez sua plataforma há pouco mais de um ano para processar cartões, Pix, criptomoedas, stablecoins e pontos de fidelidade, inclusive combinados numa mesma transação.
O que observar
O teste coloca uma pergunta prática para bandeiras e iniciadores de pagamento: a biometria no ambiente do lojista converte mais do que o redirecionamento para o app bancário, e o quanto? Piloto de três meses com dois parceiros verticalizados, mobilidade e acesso a estádios, é amostra estreita para responder isso em compras recorrentes e de tíquete baixo. Vale acompanhar se a taxa de vínculo inicial de conta, a etapa que ainda exige o consentimento no Open Finance, se sustenta fora de jornadas de alta frequência.
O segundo ponto é de licenciamento. Operar iniciação por meio de terceiros acelera a entrada no mercado, mas mantém dependência de infraestrutura alheia num fluxo que passa a ser central para o negócio. Se mais donos de arranjo buscarem autorização própria de iniciador, a fila de pedidos no regulador vira um indicador antecedente de quem pretende disputar o checkout diretamente, e não apenas processar o que passa pelo cartão.