Ir para o conteúdo

CriptoCripto · criptomoedas

FinCEN alerta que golpe cripto aparece antes do pagamento

Análise do FinCEN sobre US$ 12,7 bilhões em golpes de cripto mostra que os bancos veem a vítima financiando a fraude antes do pagamento final.

por

· 3 min

Atualizado em

Foto: Shutterstock

A unidade de inteligência financeira do Tesouro dos Estados Unidos concluiu que o sinal mais útil contra golpes de investimento em cripto pode não estar na transação em criptomoeda, e sim no dinheiro que a vítima movimenta para chegar até ela. Ao examinar 33.904 relatórios de suspeita e US$ 12,7 bilhões em atividade ligada a esses golpes, o FinCEN (a Financial Crimes Enforcement Network) argumenta que os bancos costumam ver a fraude sendo financiada antes de provarem que o pagamento final é fraudulento.

Quem reportou os golpes de cripto (set/2023 a dez/2025)

Tipo de instituição Relatórios Valor suspeito
Empresas de pagamento ligadas a cripto 18.568 (54,8%) US$ 5,5 bilhões
Instituições depositárias (bancos) 13.810 US$ 6,4 bilhões
Total 33.904 ~US$ 12,7 bilhões

Relatórios de Sigilo Bancário sobre suspeita de golpe com ativos digitais. Fonte: PYMNTS

O que os bancos veem antes do pagamento

Segundo a análise divulgada na quinta-feira (3), as vítimas costumam seguir uma sequência reconhecível: esvaziam conta corrente e poupança, liquidam investimentos e planos de aposentadoria e recorrem a linhas de crédito com garantia de imóvel, cartões e empréstimos pessoais antes de enviar o dinheiro aos golpistas. Vista isoladamente, cada operação parece legítima porque o cliente a autorizou. Vista como sequência, mostra alguém liquidando a vida financeira para financiar uma fraude.

A leitura ajuda a explicar por que os bancos, mesmo sem enxergar o destino em cripto, reportaram um volume maior que o das plataformas de ativos digitais. As instituições depositárias enviaram 13.810 relatórios que somaram US$ 6,4 bilhões, contra os US$ 5,5 bilhões das empresas de pagamento ligadas a cripto. Enquanto as plataformas veem para onde o dinheiro vai, os bancos podem ver o que a vítima faz para consegui-lo, um tipo de rastro que também está no centro da compra da BioCatch pela Visa por US$ 2,4 bilhões, voltada a análise comportamental contra fraude.

O golpe começa no relacionamento

O FinCEN descreve um ciclo em que os criminosos cultivam relações pessoais, mostram ganhos fictícios e incentivam aportes cada vez maiores. Em um exemplo extremo, um cliente sacou quase US$ 150 mil de um plano de aposentadoria, abriu linha de crédito com garantia de imóvel, contratou empréstimo pessoal e refinanciou a hipoteca para gerar recursos aos golpistas, dizendo seguir conselhos de alguém que acreditava ser um parceiro romântico. A engenharia social, apontada como frente crítica também nos golpes envolvendo o Pix no Brasil, é o que torna esse dano difícil de barrar.

“Golpes de investimento em ativos digitais representam uma das ameaças de fraude mais significativas que os americanos enfrentam hoje”, afirmou Gene Lange, no exercício das funções de subsecretário de Terrorismo e Inteligência Financeira do Tesouro dos EUA. Reguladores de outros países têm mirado etapas anteriores da cadeia, como no Reino Unido, que propôs multar big techs por anúncios de golpe.

O que observar

A orientação desloca o problema de detectar transação suspeita para reconhecer trajetória financeira. Para as instituições depositárias, o desafio deixa de ser apenas barrar o pagamento final e passa a ser juntar rápido os sinais que elas já possuem: liquidação de aposentadoria, poupança esvaziada, nova linha de crédito com garantia de imóvel e pedidos sucessivos de empréstimo que, somados, viram um padrão de risco.

É aí que análise comportamental e inteligência artificial podem se tornar úteis, não como mais um rótulo para operações em cripto, mas para identificar combinações de decisões comuns que se tornam extraordinárias quando lidas em conjunto. Vale acompanhar se os bancos vão migrar da detecção pontual para o desenho de intervenção junto ao cliente, já que golpes de pagamento autorizado exigem reconhecer que o titular legítimo da conta pode ter sido manipulado.

Fontes: PYMNTSFinCENLet’s MoneyLet’s MoneyLet’s Money

Compartilhar essa notícia

Let's News

Entenda o dinheiro antes do mercado.

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.

Mais notíciasNotícias
Ver a editoria

Mais artigos de Notícias

Let's News

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.