O Inter começou a operar na Argentina e passa a oferecer aos argentinos uma conta local, uma conta em dólar e acesso a investimentos no exterior, tudo pelo aplicativo. A entrada acontece sem o banco precisar de licença bancária no país vizinho: a estrutura financeira vem do Grupo BIND (Banco Industrial), parceiro que presta serviço bancário como serviço, o chamado banking as a service (BaaS). O movimento amplia a frente internacional de um banco que já obteve licença para operar nos Estados Unidos.
O que o Inter planeja oferecer na Argentina
| Etapa |
Produtos |
| Início (oferta limitada) |
Conta local, conta em dólar e acesso a mercados dos EUA |
| Em incorporação |
QR code, cartões pré-pagos, transferências internacionais e Pix em viagens ao Brasil |
| Fase posterior |
Empréstimos e financiamento imobiliário |
Roteiro de produtos informado pelo Inter. Fonte: Valor Econômico
Por que a estrutura vem de um parceiro local
Ao apoiar a operação no BIND, o Inter entra na Argentina sem montar uma licença bancária própria: o parceiro fornece a infraestrutura regulatória e financeira, e o banco brasileiro coloca a experiência digital em cima. O aplicativo permite que argentinos abram conta e acessem os mercados financeiros internacionais, incluindo ações, ETFs (fundos negociados em bolsa) e títulos do Tesouro dos Estados Unidos, segundo a Forbes Brasil.
“Muitos argentinos buscam manter recursos em dólares e diversificar seus portfólios em mercados globais. Nosso objetivo é facilitar esse acesso por meio de uma experiência digital e transparente”, disse João Vitor Menin, CEO global do Inter, ao Valor Econômico.
Do anúncio aos testes até a operação
A chegada foi preparada com antecedência. O plano de desembarcar no país vizinho veio a público em março de 2025, e desde então o banco manteve um período de testes restrito a familiares e amigos dos funcionários. No lançamento, o cardápio de serviços nasce enxuto, e a ideia é ir puxando aos poucos uma fatia dos mais de 180 itens que o banco reúne no Brasil, dos pagamentos por QR code até o crédito.
A aposta é a mesma que outros brasileiros fazem no país vizinho: em 2026, o Let’s Money mostrou que o Banco do Brasil levou o Pix à Argentina pelo Banco Patagonia. Sobre a concorrência local, Menin afirmou: “Estamos confiantes de que seremos capazes de competir na Argentina e nos Estados Unidos.” No mercado argentino, o Inter disputa espaço com carteiras digitais já estabelecidas, como Mercado Pago e Ualá.
O que observar
O teste imediato é de tração: uma oferta que começa enxuta precisa converter demanda por dólar em contas ativas antes de ganhar densidade de produto. Vale acompanhar a que velocidade os itens do roteiro, de cartões pré-pagos a crédito, entram no aplicativo, porque é a linha de crédito que costuma definir a rentabilidade de um banco digital fora do país de origem.
No pano de fundo, o modelo apoiado em parceiro de BaaS reduz o custo de entrada, mas transfere parte da dependência operacional para o provedor local. Se a tese de conta global em dólar se confirmar como porta de entrada, a pergunta passa a ser se bancos digitais brasileiros conseguem replicar o arranjo em outros mercados com alta demanda por moeda forte.
Fontes: Valor Econômico • Forbes Brasil • Let’s Money • Let’s Money