Guto Antunes, líder da área de ativos digitais do Itaú, defendeu que stablecoins e depósitos tokenizados precisam conviver no sistema financeiro. No palco do Blockchain.RIO 2026, ele afirmou que jogar toda a economia para stablecoins poderia gerar um “crash” do que já está montado e pediu equilíbrio no uso de cada instrumento.
Stablecoin e depósito tokenizado: as diferenças
| Instrumento |
O que é |
| Stablecoin |
Criptomoeda emitida por empresas, com paridade de 1:1 a uma moeda tradicional, como o dólar |
| Depósito tokenizado |
Versão em blockchain do dinheiro que os clientes já mantêm depositado nos bancos |
Definições de stablecoin e depósito tokenizado. Fonte: Exame
O que o Itaú vê no equilíbrio entre stablecoin e depósito tokenizado
O argumento gira em torno de escolher qual instrumento cabe em cada situação, e não de trocar um pelo outro. “Tem que achar o equilíbrio de quando usar depósito tokenizado e quando usar stablecoin. Sabemos que se migramos tudo para stablecoins podemos ter um crash do que foi estabelecido”, afirmou o executivo. Para ele, o dinheiro construído ao longo de décadas não suporta um “choque radical”.
A posição acompanha o próprio movimento do banco. O Itaú testa pagamentos internacionais 24/7 na rede da Swift apoiado justamente em depósitos tokenizados, e também entrou em um piloto de tokenização com 50 instituições. Nos dois casos, o recurso vai para o blockchain sem deixar de ser um depósito bancário.
Por que os bancos apostam no depósito tokenizado
O receio ecoa um debate que já emperra a regulação de criptoativos em outros mercados. Nos Estados Unidos, um dos maiores freios ao projeto de regras para o setor foi a resistência dos bancos, receosos de que clientes retirem recursos das contas para aplicar em ativos digitais, sobretudo diante de empresas cripto que premiam quem carrega stablecoins na carteira.
Manter o dinheiro dentro do balanço é uma escolha que aparece também fora do Brasil. O Banco da Inglaterra aposta em depósitos tokenizados antes das stablecoins, e grandes bancos dos Estados Unidos preparam uma alternativa às stablecoins. A lógica comum é preservar o vínculo com o depósito segurado enquanto se captura a liquidação instantânea do blockchain.
O que observar
A discussão coloca em campos distintos dois modelos de dinheiro digital com o mesmo verniz tecnológico. De um lado, emissores privados de stablecoin, que ganham escala rápido mas concentram o risco fora do balanço bancário. De outro, os bancos, que enxergam no depósito tokenizado uma forma de levar o dinheiro para o blockchain sem romper o vínculo com o cliente. Vale acompanhar como reguladores como o Banco Central e a CVM vão tratar a convivência entre os dois: se exigirem regras diferentes de lastro e resgate para cada instrumento, o custo de emitir stablecoin pode subir e reforçar a preferência das instituições financeiras pelo depósito tokenizado. A pergunta que fica é se o mercado brasileiro caminha para um arranjo híbrido ou para a predominância de um dos formatos.
Fontes: Exame • Let’s Money • Let’s Money • Let’s Money