A Ramp, plataforma americana de gestão financeira, passou a oferecer contas e pagamentos em stablecoin para empresas. Agora, o cliente pode manter saldo, pagar fornecedores em USDT ou USDC e conciliar cada transação no mesmo sistema contábil que já usa para os dólares, sem operar um aplicativo cripto separado.
O que os CFOs pensam sobre stablecoins
| Indicador |
CFOs |
| Esperam stablecoins relevantes em 3 anos |
23% |
| Dizem o mesmo sobre criptomoedas |
10% |
| Integração com bancos como fator decisivo |
45% |
Pesquisa PYMNTS Intelligence com diretores financeiros. Fonte: PYMNTS
Stablecoin dentro do mesmo fluxo de aprovação
O anúncio, feito na terça-feira (21 de julho de 2026), dá às empresas uma plataforma única para manter, movimentar e contabilizar tanto moeda tradicional quanto stablecoin. Na prática, a companhia pode guardar saldo em stablecoin, receber recompensas, pagar fornecedores e reconciliar cada transação de forma automática no ERP contábil que já roda. O argumento da Ramp é que, hoje, essas moedas costumam viver em um sistema à parte, fora das aprovações e controles que governam qualquer outro dólar da empresa.
“Com as contas em stablecoin, seja pagando um fornecedor em dólar, USDT ou USDC, é a mesma aprovação, os mesmos controles e os mesmos livros contábeis”, disse Andrew Chapello, gerente de produto de stablecoin da Ramp, em tradução livre. Segundo ele, é isso que falta para a stablecoin se tornar útil a qualquer empresa, e não só a companhias de cripto.
O gargalo que a stablecoin tenta resolver
A empresa ilustra o problema com um pagamento de um cliente nos EUA para um fornecedor na Argentina, que atravessa uma cadeia de bancos correspondentes e chega em três a cinco dias úteis. É o mesmo gargalo que operadores de remessa vêm atacando com stablecoin. Em episódio do podcast Let’s Money publicado em março de 2026, um operador de transferências internacionais descreveu o modelo fiat, USDC e fiat, que usa a stablecoin como trilho intermediário, elimina o correspondent banking e derruba o tempo de liquidação de dias para menos de uma hora.
O movimento também aparece na infraestrutura de pagamentos. A Nium eliminou o pré-funding com USDC em 190 países e comprou a Cypher para ligar moeda tradicional e cripto. A aposta comum é a mesma: transformar a stablecoin em trilho invisível para o cliente, que só vê o pagamento chegar mais rápido.
O que observar
A adoção segue cautelosa. A maioria dos diretores financeiros ainda não coloca a stablecoin no centro do fluxo de pagamentos, e o fator apontado como decisivo é a integração com os bancos que a empresa já usa. Vale acompanhar se plataformas de gestão financeira que embutem a stablecoin no mesmo controle contábil conseguem converter essa cautela em uso recorrente.
A hipótese mais forte não passa pela stablecoin como meio de pagamento no varejo, e sim como camada de liquidação e tesouraria entre entidades de uma mesma empresa, movendo caixa instantaneamente onde o sistema bancário leva dias. O ponto a acompanhar são os reguladores: o tratamento de rendimentos sobre saldos e as regras de câmbio ainda variam por país e podem redesenhar o modelo.
Fontes: PYMNTS • Let’s Money Podcast: How Stablecoins Accelerate Global Transfers • Let’s Money